O bordão que marcou a mobilização feminina na direita brasileira ganhou novo fôlego e significado político concreto nas últimas semanas.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro repetiu a frase ao detonar publicamente o enteado, senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.
Em vídeos publicados nas redes sociais na semana passada, Michelle relatou ter sido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” durante uma conversa telefônica com Flávio no fim de 2025.
Flávio Bolsonaro pode ter experiência legislativa e o sobrenome da família, mas Michelle Bolsonaro possui algo que poucos na direita brasileira reúnem em igual medida: carisma popular e capacidade de mobilização feminina.
Antes mesmo das eleições de 2022, quando ainda não liderava o PL Mulher, ela viajou por todo o país com Celina Leão e Damares, formando um movimento para unir e capacitar mulheres conservadoras em torno da defesa da vida, da família e da liberdade.
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Nas eleições de 2022 e 2024, a estrutura organizada elegeu dezenas de deputadas federais, senadoras, prefeitas e centenas de vereadoras no país.
Muitas dessas vitórias carregam a assinatura direta da ex-primeira-dama. Enquanto o enteado tentava “rifá-la” politicamente, Michelle consolidava bases reais.
Nascida em Ceilândia, brasiliense raiz, ela se consolidou como forte pré-candidata ao Senado Federal no Distrito Federal, em chapa com a governadora Celina Leão (PP), que busca a reeleição.
As queixas contra Flávio Bolsonaro ganharam contornos no cenário local do Distrito Federal no ano passado, quando ele apareceu ao lado do inelegível e condenado da “Pandora”, José Roberto Arruda (PSD).
A provocação de Flávio foi vista como um insulto às mais importantes figuras femininas da direita do DF.
Ninguém no meio político duvida da aliança entre Celina, Damares e Michelle Bolsonaro. “Mexeu com uma, mexeu com todas” deixou de ser apenas um slogan e virou posicionamento estratégico.
As três lideranças representam uma ala feminina conservadora organizada, com capilaridade evangélica, redes sociais fortes e rejeição a acordos que consideram equivocados.
Michelle Bolsonaro, ao expor a humilhação, defendeu sua honra pessoal e marcou território. Seja no PL e na direita, seu protagonismo não será mais subestimado.
Sua influência sobre o eleitorado feminino bolsonarista e sobre as estruturas do PL Mulher representa um ativo que Flávio, não consegue replicar com a mesma intensidade.
No confronto contra Michelle, Flávio viu sua pré-candidatura à Presidência ganhar um revés público indesejado.
Michelle reafirmou sua imagem como uma mulher forte, fiel aos seus princípios, mas que não tolera desrespeito, nem mesmo vindo de dentro de casa.
No DF, o apoio maciço de Michelle a Celina Leão e sua própria candidatura ao Senado desenham um cenário de chapa feminina forte, que pode ditar o ritmo da direita local.



