Diferentemente das pesquisas feitas para a disputa majoritária entre candidatos a governador, senador ou presidente da República, há uma tentação recorrente, em ano eleitoral, de transformar pesquisas de intenção de voto para a disputa proporcional (deputados federais, estaduais ou distritais) em uma espécie de lista antecipada dos eleitos.
No Distrito Federal, alguns levantamentos já apontam nomes que, supostamente, ocupariam as oito cadeiras da Câmara dos Deputados e as 24 da Câmara Legislativa.
O problema é que esse tipo de projeção precisa ser visto com muita cautela.
Em uma eleição proporcional, com centenas de candidatos disputando votos e dezenas de partidos e federações envolvidos, não existe segurança científica para cravar quem estará entre os eleitos.
Na pesquisa do Instituto Igape, registrada no TRE-DF sob o número DF-02089/2026 e divulgada neste domingo (30), aparecem entre os oito mais bem avaliados para deputado federal.
São eles: Fred Linhares (Republicanos), Fábio Felix (PSOL), Rafael Prudente (MDB), Julio Cesar (Republicanos), Rodrigo Rollemberg (PSB), Gilvan Máximo (Republicanos), Alberto Fraga (PL) e Daniel Donizete (MDB).

O resultado chama atenção pelo desempenho do Republicanos, que aparece abocanhando três das oito vagas da Câmara dos Deputados. Em tempo, a pesquisa foi encomendada pela TV Record, dona do Republicanos.
O MDB teria dois eleitos (?), segundo o relatório do Agape. PSOL, PL e PSB disputariam as três vagas restantes. PT, PSD, PV e União Progressista, pelo recorte apresentado, ficariam sem representação.
O resultado levou vários candidatos a se considerarem bem na disputa e a fazerem festa, como pinto no lixo, em suas redes sociais.
Mas é justamente aí que mora o perigo de interpretar pesquisa como prognóstico eleitoral.
Voto proporcional não funciona como uma corrida simples em que os oito mais bem avaliados individualmente pelo Istituto Agape necessariamente ocuparão as cadeiras.
Na disputa para deputado distrital, o cenário é ainda mais imprevisível. São 439 candidatos registrados para 24 vagas. Tentar apontar, com meses de antecedência, quem serão os 24 eleitos é praticamente um exercício de “Mãe Diná”.
Quem acreditar que já está eleito porque apareceu bem na pesquisa pode cometer o maior erro da eleição: diminuir o ritmo quando deveria acelerar.
Até outubro, haverá muita conversa, alianças, mudanças de cenário e, principalmente, muito voto sendo disputado.
No fim das contas, o resultado de uma pesquisa pode até ser transformado em post do Instagram. Mas quem elege é o eleitor.
E, para chegar lá, será preciso gastar muita sola de sapato, ou sandália, atrás de cada voto.
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