De repente, ele reaparece no cenário eleitoral do Distrito Federal para disputar uma das oito cadeiras da Câmara dos Deputados pelo Avante.
Pelo menos é assim que Juscelino Kubitschek de Oliveira aparece com a sua candidatura registrada no “DivulgaCand”, a plataforma do Tribunal Regional Eleitoral do DF.
E não se trata de uma reencarnação política, embora o nome provoque imediatamente essa impressão. O candidato é Juscelino Kubitschek de Oliveira, médico, mineiro de Itajubá e morador do Sudoeste.
O outro Juscelino Kubitschek, o presidente que entrou para a história como fundador de Brasília, também era médico e mineiro, mas de Diamantina.
A coincidência é daquelas que a política brasileira adora produzir. O nome, por si só, carrega uma carga simbólica extraordinária no Distrito Federal. Afinal, Brasília não é apenas uma cidade associada a JK.
É, em boa medida, a materialização do projeto político que ele transformou em realidade.
O fenômeno, entretanto, não é novo. A utilização de nomes de personalidades históricas ou figuras públicas em disputas eleitorais é recorrente no Brasil. A estratégia explora memória afetiva, notoriedade e associações construídas ao longo do tempo.
O Radar DF fez um levantamento e encontrou homônimos de verdade e há nomes de urna cuidadosamente escolhidos. Gugu Liberato, Faustão, Xuxa do Amazonas, Plínio Trump e Mick Jagger já apareceram em disputas eleitorais.
Também existem personagens como “Lula do Bem” e “Bolsonaro da Shopee”, que exploram semelhanças físicas, apelidos ou referências políticas para conquistar reconhecimento imediato.
A legislação eleitoral permite ao candidato registrar nome de urna que pode conter apelido, nome abreviado ou título pelo qual seja conhecido. Mas há limites: a escolha não pode induzir o eleitor a erro nem criar uma falsa identidade com outra pessoa.
No caso de Juscelino Kubitschek de Oliveira, a situação tem uma peculiaridade irresistível: não há necessidade de inventar o nome. Ele já veio de fábrica.
O desafio será outro. Transformar a coincidência histórica em voto, sem precisar prometer cinquenta anos em cinco como fez o velho JK..
- Arruda: de ex-governador ao ridículo papel de “papagaio de pirata” de Leandro Grass
- Cadê o dinheiro do BRB? Leandro Grass deveria perguntar a Lula e a Lulinha
- Cadáver petista: derrota nas urnas pode implodir o PT nacional e do DF
- Na Globo, Leandro Grass admite que o governo do PT no DF foi uma merda
- A 9 dias da eleição e sem chance, Grass começa a ser abandonado



