Afinal, de que lado “Cruz-Credo” está? Não sabe se apoia Celina ou o inelegível Arruda, adversários políticos na disputa pelo Governo do Distrito Federal.
Rogério Morro da Cruz confessou, em vídeo, que só vai se posicionar no “momento adequado”. Ou seja: depois do primeiro turno.
Até lá, o compromisso é só com o bairro onde mora, o Morro da Cruz, em São Sebastião.
O discurso de total independência soa muito bonito se ele não dependesse de aliados políticos e, muito menos, do eleitor.
Na prática, “Rogério Cruz-Credo” deu o recado de quem prefere esperar o placar do primeiro turno para decidir de que lado vai gritar.
Morro da Cruz se filiou ao PSD do inelegível José Roberto Arruda, candidato ao Buriti.
Mas, ao mesmo tempo, jura, às escondidas, uma falsa lealdade a Celina Leão (PP), candidata à reeleição.
Do PSD, ele ganhou R$ 800 mil de ajuda de campanha para não pedir votos a Celina Leão, mesmo tendo mais de 150 cargos que abrigam seus aliados nos últimos quatro anos, a começar pela Administração de São Sebastião.
O distrital candidato coloca os pés em duas canoas e pensa que ninguém está vendo.
Se uma afundar, ele se agarra à outra. A cidade vira, ao mesmo tempo, bandeira e escudo do oportunismo barato.
Em um vídeo publicado em sua rede social, Morro da Cruz esclarece que, apesar de fazer parte da base do governo Celina, não vai declarar apoio eleitoral a qualquer candidatura ao Governo do Distrito Federal.
“Não autorizo ninguém a atribuir a mim declarações ou posicionamentos eleitorais que não foram feitos por mim. Meu posicionamento será manifestado por mim no momento em que considerar adequado”, diz no vídeo.
Um candidato que afirma “não ter lado” ou evita assumir posições não deixa de adotar uma postura que pode ser lida como oportunismo político e enganadora.
Talvez, por isso, Rogério Morro da Cruz tenha terminado por virar meme na internet com o apelido de “Cruz-Credo”.
O apelido pega porque traduz o incômodo não dele, mas do eleitor que apostou nele na eleição passada e que, ao longo desses quatro anos, não entregou o que prometera, principalmente no Morro da Cruz, bairro com o qual se autoidentifica.
Rogério não aprendeu que, em uma disputa política, o candidato que pede voto, além de apresentar propostas ao eleitor, tem que mostrar de que lado está lutando.
Adiar a palavra até depois de a urna cantar não é zelo com a comunidade. É oportunismo vestido de picaretagem política.
Cruz-Credo!
- A bomba da PF no caso Daniel Vorcaro deixa a República sem chão moral
- Fundo Constitucional: Celina reage ao ataque de Lula contra o povo do DF
- Juscelino Kubitschek volta à política de Brasília para disputar vaga na Câmara
- Cerco contra Arruda se fecha antes que ele torre 3 milhões do dinheiro público
- Pesquisa para deputados é pura enganação: eleição se ganha nas ruas



