A dificuldade de Flávio Bolsonaro (PL) em fechar uma chapa com uma mulher na vice-presidência deixou de ser apenas um detalhe de articulação eleitoral para se tornar um pesadelo.
O recuo da senadora Tereza Cristina (PP-MS), até então cotada como nome favorito, expôs fragilidades que o entorno do candidato tentava manter sob controle, após o enfrentamento com Michelle Bolsonaro.
Oficialmente, Cristina alega preferir permanecer no Senado, onde mira a presidência da Casa, cumprindo o seu mandato integralmente até 2031.
A justificativa é plausível e politicamente coerente. Mas os bastidores contam outra versão, menos confortável: a senadora teria reavaliado o convite após o atrito público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher.
Em vídeo viralizado nas redes sociais, Michelle relatou ter sido “maltratada e humilhada” pelo filho do ex-presidente, episódio que rapidamente se transformou no assunto mais comentado da semana política.
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O caso revela um problema que não se resolve apenas com habilidade de negociação. Se uma figura de peso como Michelle relata desconforto no trato pessoal, é compreensível que outras lideranças femininas hesitem antes de aceitar qualquer missão ao lado de Flávio.
A imagem de um candidato que não consegue manter relações estáveis com mulheres de seu próprio campo político pesa contra ele justamente no momento em que disputa a presidência da República.
A pesquisa prevista para esta semana, deve oferecer os primeiros sinais concretos de quanto esse “racha” já corroeu a candidatura.
Até lá, resta a Flávio um desafio que parece cada vez mais distante de uma simples escolha de vice: reconstruir confiança onde, segundo relatos, ele próprio a abalou.



