Em 2022, Bia Kicis mostrou nas urnas que tinha força eleitoral de sobra no Distrito Federal. Candidata à reeleição para a Câmara dos Deputados, recebeu 214.733 votos, mais que o dobro dos 86.579 conquistados quatro anos antes.
Foi uma votação que não apenas garantiu sua reeleição com folga, mas também ajudou a eleger Alberto Fraga, que recebeu 28.825 votos e acabou beneficiado pelas sobras eleitorais.
Quatro anos depois, porém, a realidade é outra. Bia decidiu trocar a Câmara pelo Senado e, até agora, não conseguiu reproduzir nas pesquisas a força demonstrada nas urnas em 2022.
O Datafolha divulgado na sexta-feira (21) acendeu um sinal amarelo. Na pesquisa estimulada, Michelle Bolsonaro aparece com 19%, Leila do Vôlei tem 16%, Erika Kokay chega a 12% e Bia Kicis aparece com 11%. Como se vê, ela está na rabeira.
Como estão em jogo duas cadeiras, a disputa está completamente aberta. E é justamente aí que mora o desafio da candidata do PL.
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Seria precipitado tratar a fotografia de agosto como sentença de morte eleitoral de Bia Kicis. A campanha ainda está começando, o rádio e a televisão ainda não entraram no jogo e muita coisa pode mudar até outubro.
Mas pesquisa também serve para apontar tendências.
E a tendência apresentada até aqui mostra que Bia ainda não conseguiu transformar o capital político acumulado em 2022 em uma candidatura competitiva ao Senado.
O problema talvez esteja na própria estratégia.
Bia Kicis construiu sua trajetória política como uma das principais representantes do bolsonarismo no DF. Foi justamente essa identidade que ajudou a produzir uma votação extraordinária em 2022.
Só que eleição para o Senado é outra conversa.
O eleitor não escolhe apenas um representante de uma corrente política. Escolhe alguém para ocupar uma das cadeiras mais importantes da República e defender os interesses concretos do Distrito Federal.
É nesse ponto que Bia precisa ampliar o discurso. Segurança pública, saúde, educação, mobilidade, emprego, infraestrutura e a defesa dos interesses de Brasília precisam ocupar mais espaço na sua comunicação.
Se a candidatura permanecer excessivamente concentrada na defesa de pautas ideológicas, como a de imptimar ministros do STF, Bia pode acabar falando muito para quem já está convencido e pouco para uma multidão que ainda precisa ser conquistada.
A eleição está apenas começando. Há tempo para mudar a estratégia, ampliar o discurso e apresentar uma candidatura mais conectada às demandas do eleitor brasiliense.
Mas uma coisa é certa: os 214 mil votos de 2022 pertencem ao passado. Para chegar ao Senado, Bia Kicis terá de construir uma nova maioria.
E, desta vez, não haverá sobra eleitoral capaz de fazer esse trabalho por ela. Simples assim!



