O resultado da pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado (22), caiu como um balde de água fria sobre o núcleo da campanha petista no Distrito Federal.
O levantamento mostra Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT) na disputa presidencial entre os eleitores do DF: 39% contra 31%. Num eventual segundo turno, a vantagem aumenta: 51% a 39%.
O cenário ajuda a explicar o desânimo que tomou conta da esquerda brasiliense.
Acostumado a tratar o Distrito Federal como uma espécie de quintal do Palácio do Planalto, o PT não consegue ser competitivo desde a derrota de Agnelo Queiroz, em 2014.
Desde então, acumula derrotas eleitorais e dificuldades para reconquistar espaço político.
Em 2022, Leandro Grass, então no PV, foi derrotado por Ibaneis Rocha (MDB) no primeiro turno. Agora, quatro anos depois, a reedição da candidatura chega à campanha oficial cercada de sinais de fragilidade.
O próprio Datafolha mostra Grass com apenas 11% das intenções de voto, contra 30% de Celina Leão (PP).
O problema, portanto, não parece ser apenas numérico. Nos bastidores, há uma crise política dentro do próprio petismo brasiliense.
Informações de bastidores apontam cobranças do presidente nacional do PT, Edinho Silva, ao presidente regional da legenda, Guilherme Sigmaringa, diante do desempenho considerado pífio.
Também existe uma cisão aberta entre setores da militância, parte dos quais demonstra desconforto em vestir a camisa de Grass.
A escolha do ex-integrante do PV teria sido uma imposição de Lula, que empurra Grass goela abaixo da militância petista desde 2022.
Lula aquinhoou Leandro Grass com um cargo de visibilidade nacional, no Iphan, enquanto os históricos petistas permaneceram no limbo político até hoje.
Um petista ligado à corrente “Construindo um Novo Brasil” afirmou ao Radar- DF que grande parte da militância desanimada no DF puxou o freio de mão na campanha deste ano. O resultado aparece nas pesquisas.
A esquerda brasiliense, definitivamente, vai mal das pernas.
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