No início desta semana, ao participar do lançamento da candidatura de Alberto Fraga a deputado federal pelo PL, Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado na chapa da governadora Celina Leão, fez o que ninguém esperava.
Mesmo declarando apoio à “Leoa”, distribuiu salamaleques elogiosos ao inelegível José Roberto Arruda (PSD), adversário direto de Celina.
O gesto, como tudo o que a ex-primeira-dama faz ou deixa de fazer, ganhou repercussão nacional imediata.
Demovida por muitas aliadas, incluindo Celina Leão, da ideia de desistir da política, como havia se posicionado anteriormente, Michelle voltou a se engajar na campanha de Flávio Bolsonaro, que disputa a Presidência da República.
Decidiu lutar também para se eleger ao Senado e trabalhar para transformar Brasília em sua maior caixa de ressonância política, com os olhos voltados para 2030. Ela quer ser a candidata da vez do bolsonarismo, caso o enteado perca para Lula.
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Enquanto a direita move suas peças no pequeno quadrado da capital federal, a esquerda também articula as suas.
Não que o campo progressista tenha força para derrotar Celina nas urnas. As pesquisas mostram que nenhum candidato da esquerda cresce.
Leandro Grass, candidato do PT, apresenta-se bem pior diante dos próprios petistas do que na eleição passada. Já a candidatura de Ricardo Cappelli (PSB) continua um fiasco.
A salvação, portanto, seria torcer pela manutenção da candidatura de Arruda, que amarga diversas impugnações, inclusive uma protocolada nesta quarta-feira (19) pelo MPDFT no TRE-DF.
A esquerda não permitirá de graça que a “direita michellista” converta o Distrito Federal no maior espelho e berço conservador do país.
Por trás do cenário, Gilberto Kassab, dono do PSD, partido de Arruda, já se movimenta para ajudar o amigo Lula a impedir que a direita crie raízes por aqui.
Caso Arruda se mantenha elegível e chegue ao segundo turno contra Celina, o PT e o restante da esquerda estariam prontos para “arrudiar”.
Em campanha política, não basta fazer salamaleques amistosos e delicados a adversários, como os feitos por Michelle Bolsonaro.
É preciso enxergar o que está por trás de cada movimento deles.



