Na véspera da eleição deste domingo (4), Paula Belmonte (PSDB) fez o que sua campanha menos precisava: gravou um vídeo elogiando Erika Kokay (PT) e pedindo atenção para a petista na disputa pelo Senado.
O recado, publicado na sexta-feira (2), foi lido como apoio explícito e expôs a fragilidade de uma candidatura que não decolou.
Belmonte passou anos vendendo oposição ao PT. Foi primeira vice-presidente da CPI do BNDES, denunciou o que chamou de “roubalheira” com o aval de Lula, e se apresentou como alternativa de responsabilidade fiscal, anticorrupção e contraponto ao presidente.
Na reta final, porém, abandonou o discurso e tratou Kokay, deputada federal de longa trajetória petista e cabo eleitoral de Leandro Grass, como exemplo de “competência e compromisso”.
Neste sábado, tentou apagar o incêndio: disse que falou da pessoa, não da candidata. A retratação soou tardia e oportunista. O vídeo já circulava nas redes fazendo estrago em sua candidatura ao GDF.
Kokay, por sua vez, não lidera a corrida. Nas pesquisas recentes da Quaest, aparece atrás de Leila do Vôlei, com Michelle Bolsonaro na frente e Bia Kicis disputando a segunda vaga.
Mesmo com cinco mandatos de deputada federal, Erika Kokay se vê no fim da linha como política, sem mandato a partir de janeiro do próximo ano.
Belmonte, igualmente estagnada, escolheu associar-se a uma adversária ideológica em vez de firmar o próprio eleitorado. Baita traição em quem acreditou nela.
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