Radar Político/Opinião DIREITO DE RESPOSTA

Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Vorcaro, Jaques Wagner, Mantega: rombo do Master chega ao gabinete de Lula

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A notícia revelada pelo portal Metrópoles nesta segunda-feira (26) escancara, mais uma vez, a podridão seletiva da política brasileira.

Segundo a reportagem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu, em dezembro de 2024, o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em uma reunião sigilosa no Palácio do Planalto. Na época o Master já era investigado pelo Banco Central.

O encontro, que contou ainda com o então futuro presidente do BACEM, Gabriel Galípolo, teria durado cerca de uma hora e meia no gabinete presidencial, não constou na agenda oficial.

O detalhe é grave, sobretudo vindo de um governo que se apresenta como defensor intransigente da transparência e da ética pública.

A situação ganha contornos ainda mais delicados quando se revela que a reunião foi intermediada pelo líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA) e pelo ex-ministro da fazenda de Dilma, Guido Mantega (PT).

Segundo o Metrópoles, entre julho e novembro de 2025, Mantega teria recebido ao menos R$ 16 milhões em honorários de consultoria pagos pelo próprio Banco Master.

A articulação desse contrato, ainda segundo a reportagem, teria partido do senador Jaques Wagner, que solicitou a contratação como quem pede um favor pessoal.

O Banco Master está no centro de um escândalo bilionário que envolve operações financeiras suspeitas no sistema financeiro brasileiro.

Enquanto investigações iniciadas desde 2024 pela Polícia Federal e pelo Ministério Público e pelo próprio Banco Central avançam, o silêncio do Palácio do Planalto chama atenção.

O que foi tratado na reunião? Quais interesses estavam em jogo? Até agora, nenhuma resposta convincente foi apresentada.

Em um governo que se autodenomina “do povo”, reuniões fora da agenda com banqueiros investigados não soam como coincidência, mas como sinal de conivência.

O contraste se torna ainda mais gritante quando se observa o comportamento de aliados do presidente.

Na semana passada, nomes como o ex-governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB), o ex-senador Cristovam Buarque (Solidariedade) e o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli (PSB), protocolaram pedidos de impeachment na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) contra o governador Ibaneis Rocha (MDB).

Mais uma vez, recorrem a acusações midiáticas e puramente eleitoreiras na tentativa desesperada de tirar o foco da teia que laçou o Palácio do Planalto.

O requerimento de impeachment contra Ibaneis Rocha, protocolado por Rodrigo Rollemberg e aliados na CLDF que o RADAR-DF teve acesso, é uma peça frágil, sem base jurídica sólida.

Apoia-se em recortes de jornais, manchetes sensacionalistas e especulações, sem provas concretas.

É oportunismo eleitoral em plena pré-campanha ao Buriti. A tática repete a farsa de janeiro de 2023, quando venderam a mentira de que Ibaneis era o responsável pelos atos de 8 de janeiro, alegando conivência e omissão.

O STF comprou a narrativa inicial, Alexandre de Moraes afastou o governador do cargo e Lula aproveitou para impor uma intervenção federal na segurança.

Depois, a PF e a PGR concluíram pela inexistência de atos criminosos, omissão intencional ou destruição de provas.

A esquerda e sua turma acham que podem tapar o sol com a peneira. Ataca-se o adversário com veemência, enquanto se poupam os aliados, mesmo diante de fatos concretos e documentados.

Voltando a Rodrigo Rollemberg, é difícil esquecer do pior governador da história de Brasília.

Durante seu desastroso governo no DF (2015–2018), decisões de sua gestão provocaram um rombo bilionário no Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF). Lembram? Em 2015, R$ 1,3 bilhão foi retirado do fundo previdenciário para cobrir outros rombos.

No ano seguinte, mais R$ 493 milhões foram sacados. Alerta de sindicatos, do Ministério Público e de especialistas foram ignorados, e as consequências recaíram sobre aposentados e pensionistas.

Foi durante seu governo que a Polícia Federal desarticulou um esquema criminoso no BRB, com a prisão de diretores acusados por descaminhos administrativos e operações financeiras ilegais.

Naquele período, nem foi preciso pedido de impeachment, nem discursos inflamados em nome da moralidade. Rollemberg acabou julgado pelas urnas e derrotado por Ibaneis em 2018

Diante disso, cabe a pergunta inevitável: os mesmos que exigem a queda do governador teriam coragem de pedir explicações formais ao presidente Lula, sobre reuniões ocultas, consultorias milionárias e articulações políticas no coração do Planalto?

Estariam Rollemberg, Cappelli e Cristovam dispostos a pedir a prisão de Jaques Wagner, Guido Mantega e Ricardo Lewandowski por terem contratos bilionários com o Banco Master?

Chega de hipocrisia e de cinismo!

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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