Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Cappelli curte celebração dos 71 anos de Bolsonaro no Instagram de Celina

Publicado em

Ricardo Cappelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial no governo Lula e pré-candidato ao Palácio do Buriti pelo PSB de Rodrigo Rollemberg, é conhecido como um dos críticos mais afiados contra a direita bolsonarista.

Por isso, a curtida que ele deu neste sábado (21) na publicação da vice-governadora do DF Celina Leão (PP) pegou a esquerda de surpresa e, para muitos, de calças curtas.

Celina postou uma foto ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro, celebrando seus 71 anos. Bolsonaro está internado no Hospital DF Star desde o dia 13, levado às pressas após um mal-estar na cela onde cumpre custódia no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília.

Milhares de curtidas e comentários emocionados inundaram a postagem. Entre eles, o “like” efusivo de Ricardo Cappelli.

A reação do campo progressista foi imediata: espanto, incredulidade, até indignação velada. “Como assim? O Cappelli, justamente ele?”

O homem que representa o governo Lula, que vive da narrativa de combate ao bolsonarismo, dando um joinha público numa homenagem ao líder da direita?

Para muitos da sua convivência, foi quase uma traição.

Essa gente deveria saber que  “o homem tem o seu momento de fraqueza”.

Sigmund Freud, que a esquerda tanto venera quando convém, explica perfeitamente: o inconsciente não obedece a partido político.

Há um instante em que o ego se cansa e a razão perde o controle por um segundo. Não é adesão ideológica. Não é virada de casaca. Cappelli por um instante ficou humanizado.

A esquerda que se escandalizou com o gesto deveria fazer um exercício de autoconhecimento freudiano.

Não se pode mais parabenizar um aniversário, desejar melhoras a um doente ou reconhecer a humanidade do outro sem ser acusado de “amolecimento”?

Como uma esquerda que  prega tolerância e diversidade, mas só tolera quem pensa exatamente igual.

No fundo, o episódio é diminuto, quase banal. Um like numa rede social. Mas, como toda banalidade freudiana, revela muito.

Cappelli teve seu momento de fraqueza, como debocham seus amigos. Que bom. Que venham mais momentos assim. Quem sabe um dia ele possa vir a ser bolsonarista de carteirinha?

Isso também, com certeza, Freud explica.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

Siga o perfil do Radar DF no Instagram
Receba notícias do Radar DF no seu  WhatsApp e fique por dentro de tudo! Entrar no grupo

Siga ainda o #RadarDF no Twitter

Receba as notícias de seu interese no WhatsApp.

spot_img

Leia também

Setembro Amarelo foca em campanha para saúde mental

A rede pública de saúde do Distrito Federal dispõe de atendimento para condições voltadas à...

Mais Radar

O discurso do paraíso e as sombras do passivo que cercam Paula Belmonte

Paula Belmonte (PSDB), candidata ao governo do Distrito Federal, constrói sua...

Debates na TV viram circo de horrores e perdem credibilidade junto ao eleitor

Houve um tempo em que os debates televisivos eram considerados essenciais...

Tsunami Vorcaro traga os Três Poderes, atinge a PF, e sociedade exige explicações

O esquema criminoso articulado por Daniel Vorcaro, responsável pelo maior golpe...

Isolado no PT, entorno de Grass busca socorro no fantasma de Arruda

Em um movimento que causa náuseas nas correntes mais tradicionais do...

Celina defende expansão do Colégio Militar e modelo cívico-militar no DF

Durante evento organizado pelo deputado distrital Roosevelt Vilela (PL), que reuniu...
- PUBLICIDADE -

Últimas do Radar Político