Prender Jair Bolsonaro não significa tirar sua força política. Pelo contrário. Para milhões de brasileiros, o ex-presidente se tornou o símbolo de uma luta contra um sistema ideologicamente alinhado à esquerda que, na visão de seus apoiadores, quer calar uma liderança que nasceu nas ruas e conquistou o poder pelo voto.
É justamente aí que reside a força de Bolsonaro. Quanto mais tentam isolá-lo, mais cresce entre seus milhões de seguidores o sentimento de que estão perseguindo não apenas um homem, mas tudo aquilo em que acreditam.
A prisão pode limitar seus movimentos e sua comunicação, mas não consegue entrar na casa das pessoas, apagar suas convicções ou impedir que continuem defendendo seu líder.
E essa força pode ter um novo destino nas urnas no próximo domingo: Flávio Bolsonaro.
O filho carrega o sobrenome, a bandeira e a possibilidade de transformar a indignação dos apoiadores do pai em votos.
Bolsonaro pode estar impedido de subir em um palanque ou amordaçado pelo STF, mas sua influência continua circulando livremente pelo país.
Sua força contribuiu para ampliar significativamente a presença do campo conservador no Congresso Nacional, como ocorreu no 1º turno das eleições.
A história política mostra que líderes transformados em símbolos de resistência podem crescer justamente quando seus adversários acreditam que conseguiram derrotá-los.
Que a lição sirva para Lula e Moraes.
O povo não esquece quem considera injustiçado.
E, quando a indignação se transforma em sentimento coletivo, nenhuma cela é capaz de aprisionar uma ideia.
Bolsonaro pode estar preso. Sua força política, porém, continua solta nas ruas e pode surpreender nas urnas neste domingo.
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