Eles compartilham o mesmo DNA da velha política nacional: o poder de articulação, a queda vertiginosa provocada por escândalos e, agora, por uma ironia do destino, o mesmo sufoco financeiro e a mesma esperança de ressurreição eleitoral.
O ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG) e o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) vivem um momento de espelhamento em suas trajetórias políticas.
O bloqueio de milhões de reais em bens e o desejo de voltar às urnas aproximam os dois personagens e os colocam na mesma antessala do Supremo Tribunal Federal (STF).
Se o passado de ambos já era marcado por processos judiciais, o presente tratou de asfixiar também suas contas bancárias.
Eduardo Cunha voltou ao centro do furacão após o ministro do STF Flávio Dino, determinar o bloqueio de aproximadamente R$ 6,1 milhões em seus bens.
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A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, que investiga supostos desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares.
Do outro lado, José Roberto Arruda sofreu um revés semelhante na Justiça do Distrito Federal.
Há dez dias, a 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) decidiu, por unanimidade, garantir o cumprimento das obrigações patrimoniais impostas na ação, entre elas a devolução de R$ 257 mil aos cofres públicos.
A Corte também determinou o bloqueio dos bens do ex-governador em decorrência dos desdobramentos de suas antigas condenações por improbidade administrativa.
Inelegíveis e com as contas bloqueadas, a dupla agora aposta suas últimas fichas em um julgamento no STF.
O futuro político de ambos depende diretamente da análise da Lei Complementar nº 219/2025.
A nova legislação alterou a Lei da Ficha Limpa, redefinindo os critérios e a forma de contagem do prazo de inelegibilidade de políticos condenados.
Se o STF declarar a norma constitucional e reconhecer os efeitos retroativos defendidos por seus advogados, as punições de Cunha e Arruda poderão ser encurtadas, abrindo caminho para que ambos disputem as próximas eleições.
A defesa de Eduardo Cunha nega categoricamente qualquer irregularidade ou desvio de recursos envolvendo as emendas parlamentares.
Já os advogados de Arruda vão além: juram de pés juntos que o ex-governador já está elegível. Então, tá!



