O deputado distrital Chico Vigilante (PT), prestes a tentar o seu sexto mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), correu para as redes sociais na última semana para fazer um verdadeiro “oba-oba”.
O motivo? Os resultados da recente pesquisa divulgada pela Exata OP, que o colocaram em uma falsa liderança das intenções de voto espontâneas para a CLDF.
Mas vamos desmontar esse entusiasmo com leveza, sem rancor, olhando apenas para os fatos e para o realismo que rege a política brasiliense.
O erro principal de quem acumula décadas de poder, como Chico Vigilante, é acreditar na eternidade do cargo.
O eleitor do Distrito Federal tem uma característica muito clara: ele adora fazer “faxina” na Câmara Distrital.
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A CLDF tem um histórico agressivo de renovação, que prova que o eleitor local não é tão apegado a velhas e enferrujadas caras quanto os gabinetes gostam de crer.
Em 2018, a taxa de renovação passou dos 60%. O eleitorado abriu espaço para novos nomes e mandou veteranos para casa.
Em 2022, a renovação foi de exatamente 50%. Metade das 24 vagas da casa trocou de rosto.
Em um cenário em que centenas de candidatos se pulverizam pelo quadradinho, o voto se divide ao extremo.
Para o manjado petista, que vê a rejeição ao governo federal na capital atingir patamares incômodos, a fidelidade ideológica ou o voto de legenda já não são garantias de salvação, nem para Lula.
Em seguidos levantamentos locais, a desaprovação do governo Lula no DF supera os 59%, criando um ambiente hostil para quem atua na defesa de uma péssima gestão, como Chico Vigilante.
Chega a ser irônico ver o “vigilante” que não consegue vigiar o próprio desgaste.
Enquanto exibe sua mesa farta todas as manhãs nas redes sociais, com cafezinhos cinco estrelas e um estilo de vida nababesca blindado pelo orçamento público há quase 30 anos, o deputado parece esquecer a realidade do trabalhador comum.
Há milhares de vigilantes reais e trabalhadores no DF que mal conseguem garantir o café preto com pão na margarina antes de pegar o transporte público de madrugada.
Essa ostentação velada cria um abismo invisível, mas profundamente sentido pelo eleitor na hora do basta. Com desgaste acumulado, o topo de hoje pode facilmente virar a suplência de amanhã.
Chico Vigilante tem todo o direito de se orgulhar, fazer festa e comemorar os números com seus aliados nos corredores da CLDF.
No entanto, a história do Distrito Federal mostra que o eleitorado adora surpreender os políticos carreiristas que, ao longo de décadas, acostumaram-se a confundir o público com o privado.



