Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Prisão invisível: Como a Caixa de Pandora se tornou a masmorra de Arruda

Publicado em

Há prisões que não possuem grades de ferro, mas cujas muralhas são igualmente intransponíveis.

José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, enfrenta um pesadelo que dura há 17 anos.

Não por ter passado pela “Papudinha” ou pela “Papudona”, presídios onde criminosos de todos os naipes cumprem pena na capital federal, mas porque a Caixa de Pandora se tornou sua prisão invisível, repleta de tormentas que nem Freud conseguiria explicar.

Deflagrada pela Polícia Federal no fim de 2009, a Operação Caixa de Pandora, que retirou Arruda do cargo enquanto ainda exercia o mandato, continua sendo, para o ex-governador, uma prisão sem grades.

Mesmo livre para caminhar pelas ruas do Distrito Federal, de mãos estendidas em busca do voto, ele segue encarcerado pelas consequências de um escândalo do qual parece impossível se libertar.

A liberdade formal de Arruda contrasta dramaticamente com o seu sufocamento jurídico. Na última sexta-feira (3), a 6ª Turma do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) deu mais uma “martelada” contra o ex-governador ao julgar mais um processo derivado daquela engrenagem de roubalheira do dinheiro público.

O resultado foi implacável: nova condenação e mais um bloqueio de bens que asfixia as finanças e os planos políticos do ex-governador.

“Durma com uma tortura dessa?”, teria desabafado o réu a interlocutores de sua estrita confiança, logo após tomar conhecimento da nova sentença.

A sobrevivência política de Arruda agora depende inteiramente de uma cartada do Supremo Tribunal Federal, que só o Gilmar sabe qual será o resultado.

O ex-governador nutre a esperança de que o STF decida pelo acolhimento definitivo das alterações na Lei da Ficha Limpa promovidas pelo Congresso Nacional.

Aprovada por deputados e senadores, essa mudança na lei foi recebida com entusiasmo pelo submundo, composto por centenas de políticos condenados por corrupção e improbidade administrativa.

Seria a “chave da soltura” eleitoral e passaporte para voltarem à cena do crime. É o caso de Arruda.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

Siga o perfil do Radar DF no Instagram
Receba notícias do Radar DF no seu  WhatsApp e fique por dentro de tudo! Entrar no grupo

Siga ainda o #RadarDF no Twitter

Receba as notícias de seu interese no WhatsApp.

spot_img

Leia também

TSE mobiliza estratégias para combater abstenção de eleitores no segundo turno

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai intensificar as ações e campanhas institucionais com o objetivo...

Mais Radar

Sem descanso: direita brasiliense vai pra cima do PT na disputa do 2º turno

A direita brasiliense, fortalecida pelo resultado das urnas no primeiro turno...

1º TURNO: 18 candidatos a governador podem se eleger; entre eles, Celina Leão, no DF

A eleição para o Governo do Distrito Federal pode terminar neste...

A máscara caiu: Belmonte elogia Kokay, perde eleitores e descobre que é petista

Na véspera da eleição deste domingo (4), Paula Belmonte (PSDB) fez...

Celina, Flávio e Michelle convocam “Motociata da Liberdade” neste sábado

A véspera do primeiro turno das eleições de 2026 será marcada,...

O fenômeno político de Roosevelt Vilela e a busca pelo 3º mandato

Neste domingo, 4 de outubro, Roosevelt Vilela Pires (PL) disputa a...
- PUBLICIDADE -

Últimas do Radar Político