Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Bia contrata pesquisa acusada de forjar dados para prejudicar Celina Leão

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O Partido Progressista (PP) ingressou nesta quinta-feira (14) com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) contra o Instituto Veritá.

A acusação é grave: manipulação de dados e uso de técnicas indutivas para prejudicar a imagem da governadora Celina Leão, pré-candidata à reeleição.

Curiosamente, a pesquisa divulgada ontem (13), foi encomendada pelo PL do DF, comandado por Bia Kicis, partido que compõe a base de apoio da governadora.

A peça jurídica detalha cinco irregularidades fundamentais. A primeira delas é o caráter indutivo do questionário. Análises técnicas revelam o uso de “enquadramento negativo” para empurrar o entrevistado a conceitos desfavoráveis.

Um exemplo gritante é a pergunta 29, que associa diretamente a governadora a denúncias da “Operação Dracom”, um fato antigo e sem condenação, usado deliberadamente para criar um viés de memória negativa antes das perguntas sobre intenção de voto.

Além da indução, a amostragem apresenta inconsistências geográficas bizarras. Enquanto algumas regiões tiveram centenas de ouvintes, em Sobradinho apenas uma pessoa foi entrevistada, e no Lago Norte, cinco.

Essa disparidade sugere um direcionamento para obter resultados predeterminados. Somam-se a isso distorções na renda: o grupo que ganha mais de cinco salários mínimos deveria ser 25% da amostra, mas representou mais de 50%, distorcendo a realidade socioeconômica do DF.

A ação aponta ainda o descumprimento do registro eleitoral, já que o instituto incluiu perguntas sobre a eleição presidencial, e o uso de uma metodologia (PPT) baseada em municípios, algo inexistente na estrutura administrativa do Distrito Federal.

Segundo advogados do PP, as evidências são robustas. Institutos que divulgam pesquisas fraudulentas podem enfrentar multas de até R$ 80 mil e os responsáveis podem ser condenados criminalmente, com pena de reclusão de seis meses a um ano, conforme a Lei 9.504/97.

O caso agora aguarda decisão judicial para impedir que dados manipulados interfiram na lisura do processo democrático e na percepção do eleitorado brasiliense.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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