A pesquisa Quaest/Globo, divulgada nesta terça-feira (25), surpreendeu José Roberto Arruda (PSD) e expôs um cenário ainda mais difícil para o ex-governador na disputa pelo Palácio do Buriti.
De tanto pedir que o deixem ser julgado pelo povo, e não pelos tribunais de Justiça das mais diversas instâncias que o tornaram inelegível, Arruda começa a receber justamente uma espécie de julgamento popular antecipado.
A resposta, até aqui, parece direta: Arruda? “Nunca mais”.
Com 20% das intenções de voto, o ex-governador aparece 14 pontos atrás de Celina Leão (PP), que lidera a corrida com 34%. Já esteve melhor posicionado, mas despenca em queda livre sem ter por onde crescer.
O mais revelador do que a distância entre os dois é o índice de rejeição. Metade dos eleitores do Distrito Federal, segundo a Quaest, afirma que conhece Arruda, mas não votaria nele.
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Apenas 8% dizem não conhecê-lo. O dado elimina uma das principais esperanças de candidatos que estão atrás: crescer à medida que se tornam conhecidos.
Arruda já é conhecido de muitos carnavais. E, para metade do eleitorado, a decisão parece estar tomada.
Na prática, o ex-governador parte para a campanha com uma barreira de vidro, presente na percepção do eleitor.
Dos 50% que rejeitam seu nome, resta uma parcela menor efetivamente disponível para uma conversão eleitoral. Isso reduz o espaço para crescimento e torna qualquer tentativa de virada muito mais difícil.
Há, ainda, outro componente que pesa diretamente sobre esse cenário: a insegurança jurídica.
As condenações por improbidade administrativa e as discussões em torno de sua elegibilidade alimentam no eleitor a sensação de que votar em Arruda pode significar apostar em uma candidatura sujeita a novas batalhas judiciais.
Para um eleitor pragmático, existe o temor de escolher alguém que poderá enfrentar obstáculos para assumir ou permanecer no cargo. O risco de um “voto perdido” passa a ser considerado na hora da decisão.
A memória da Operação Caixa de Pandora também não desapareceu. Os antigos escândalos continuam sendo utilizados por adversários e permanecem vivos entre setores do eleitorado conservador e moderado.
Enquanto isso, Celina Leão ocupa o espaço da previsibilidade. À frente do governo, aparece associada à entrega de obras, à visibilidade institucional e a uma aprovação de 54% do seu governo.
O eleitorado do Distrito Federal já viveu de perto os períodos de instabilidade, provocados por corrupção e desgovernos, que marcaram o longo período da sequência de governos Arruda, Rosso, Agnelo e Rollemberg.
A lembrança daquele ciclo conturbado ainda pesa na memória de boa parte dos eleitores e ajuda a explicar por que, hoje, a palavra de ordem parece ser de não deixar o DF voltar ao passado.
A Quaest, portanto, mostra que Arruda enfrenta uma combinação poderosa de rejeição, memória política e incerteza jurídica.
Uma barreira de vidro que, por enquanto, transforma o tão desejado “julgamento pelo povo” em uma resposta que o ex-governador talvez não esperasse ouvir tão cedo, antes mesmo da campanha política chegar oficialmente na casa do eleitor pelo rádio e pela TV.
“Arruda? Nunca mais?” É cedo para cravar.
Mas, pela Quaest, essa frase já deixou de ser apenas uma provocação de adversários e passou a representar um sentimento profundo e concreto de recusa por parte do eleitor.
Em tempo: O levantamento Quast foi contratado pelo Grupo Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-06256/2026.



