Há governos que entram para a história pelas obras. Outros, pelas dívidas. No Distrito Federal, a gestão de Ibaneis Rocha (MDB), advogado e ex-presidente da OAB-DF, também pode ser lembrada pela quantidade de profissionais do Direito que ganharam espaço na máquina pública.
A expressão “República da OAB” não nasceu por acaso. Logo no início de 2019, dos 54 nomes anunciados para o primeiro escalão, pelo menos 15 eram colegas de profissão do governador. A advocacia chegou ao Buriti com endereço certo.
O tamanho dessa estrutura aparece nos números da Procuradoria-Geral do DF. São 257 procuradores e 239 servidores, totalizando 496 profissionais. Em 2023, Ibaneis promoveu a maior nomeação da história da carreira, com 63 novos procuradores, ampliando o quadro em 30%.
A comparação chama atenção. O Paraná tem 269 procuradores e Goiás, 211. O Pará, com população superior a 8 milhões, possui 133 procuradores em 2025.
O DF, com população muito menor que a paranaense, mantém uma estrutura jurídica de dimensão semelhante. Não significa necessariamente excesso, mas merece transparência sobre custos e produtividade.
É nesse ambiente que Celina Leão prepara o chamado “decretão”, previsto para 31 de dezembro, com exoneração dos ocupantes de cargos comissionados. A medida permitirá escolher quem permanece e quem sai da estrutura herdada.
Não se trata de exonerar procuradores concursados. A carreira tem estabilidade e não entra nessa conta. A caneta agora está nas mãos da Leoa.
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