Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Sem mandato e sem cargos: o fim das “porteiras fechadas” do governo Ibaneis

Com Celina Leão no comando, a distribuição de cargos no GDF terá novas regras. Derrotados nas urnas podem perder espaço no governo.

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Existe um provérbio cruel no cotidiano da política institucional que adverte: quando um deputado perde o mandato, nem o vento bate à sua porta.

A partir de 1º de janeiro de 2027, com a instalação do governo Celina Leão, a distribuição dos espaços políticos no Executivo do Distrito Federal deverá seguir uma nova configuração.

Todo governo precisa construir sua própria base de sustentação. Isso envolve compromissos, alianças e escolhas que nem sempre agradam a todos os grupos que participaram da caminhada eleitoral.

A permanência em cargos estratégicos também depende da capacidade de entregar resultados políticos e administrativos. Afinal, quem não conseguiu se eleger, em muitos casos, é porque não entregou uma coisa nem outra.

Nesse contexto, políticos que saíram enfraquecidos das urnas podem enfrentar dificuldades para reivindicar os mesmos espaços que ocuparam durante a gestão anterior. A roda gira.

A lógica é relativamente simples. Um governo que precisa organizar sua sustentação política tende a olhar com mais atenção para quem consegue agregar votos, mobilizar lideranças e oferecer perspectivas de crescimento eleitoral.

Manter estruturas importantes sob a influência de grupos que acumulam derrotas consecutivas pode deixar de ser interessante do ponto de vista político.

É o caso de Cláudio Abrantes, ex-deputado que dominou a Secretaria de Cultura de porteira fechada; de Delmasso, que teve influência na Secretaria da Família; e de Telma Rufino, administradora de Arniqueiras, entre outros nomes.

Isso não significa que todos estejam automaticamente fora do jogo político ou que deixarão de disputar novamente em 2030, nem que seja ao posto de “bucha de canhão”.

Para resumir, os derrotados de 2022, que conseguiram se agarrar à estrutura do governo, agora terão de caminhar com as próprias pernas. Já os derrotados de 2026 ainda poderão conseguir algum penduricalho na nova administração.

Mas o caminho ficou bem mais estreito.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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