A velha e bem-mamada grande imprensa descobriu um novo drama nacional: Flávio Bolsonaro (PL) chamou Lula de “Nove Dedos” durante o debate da Globo, na sexta-feira (23).
Agora, a narrativa é que a expressão pode afastar eleitores indecisos. Convenhamos, é muita preocupação com o dedo alheio.
O apelido não nasceu no debate. A referência acompanha Lula desde seus tempos de sindicalista e ganhou força durante sua prisão, em 7 de abril de 2018, no âmbito da Operação Lava Jato.
Foram 580 dias na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, até sua soltura, em novembro de 2019.
Apelidos fazem parte da cultura popular e também do universo criminal. Caiu na cadeia, ganha logo uma alcunha.
João Acácio Pereira da Costa ficou conhecido como “Bandido da Luz Vermelha”. Marcos Willians Herbas Camacho é conhecido como “Marcola”. Alphonse Capone entrou para a história como “Cara de Cicatriz”.
Na própria Lava Jato, planilhas do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht registravam políticos e autoridades por meio de alcunhas.
Lula aparecia como “Amigo”, enquanto Gleisi Hoffmann era identificada como “Amante”. Eduardo Cunha era chamado de “Caranguejo”, Eduardo Paes, de “Nervosinho”, e Romero Jucá, de “Caju”, segundo informações divulgadas pela Polícia Federal sobre os registros da empreiteira.
Portanto, voltando ao debate de ontem, Flávio Bolsonaro se referiu a Lula como “Nove Dedos” de forma aparentemente involuntária, já que a expressão está profundamente enraizada no imaginário popular. Tanto é que, posteriormente, pediu desculpas.
O eleitor quer saber se vai recuperar seu poder de compra, pagar suas dívidas e ter segurança para viver sem medo.
Não está nem aí para os nove dedos de Lula, muito menos espera autorização da imprensa para compreender uma expressão já conhecida.
No fim, o problema não são os nove dedos. É a tentativa de transformar uma expressão em questão de Estado, como se o Brasil não tivesse problemas muito maiores.
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