Há figuras na política do DF que parecem ter uma incapacidade crônica de se adequar às regras do jogo democrático e à honestidade do debate público.
O caso recente envolvendo o inelegível José Roberto Arruda e sua campanha no Distrito Federal é a prova cabal de que, para certos grupos, a mentira não é um acidente de percurso, mas sim um método deliberado de atuação.
Ao ter suas postagens liminarmente derrubadas pela Justiça Eleitoral, sob a ameaça de severas multas diárias, Arruda escancarou, mais uma vez, o modus operandi da desinformação calculada.
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do DF, ocorrida neste domingo (06), não deixa margem para dúvidas.
A tentativa de manchar a reputação de Gustavo Rocha, candidato a vice-governador na chapa de Celina Leão, ultrapassou todos os limites da crítica política e descambou para a fabricação grosseira de ilícitos.
A tática utilizada pela engrenagem de comunicação de Arruda é tão antiga quanto nociva.
Pega-se um fato real, uma reportagem sobre movimentações financeiras, deforma-se brutalmente o seu contexto e atribui-se o escândalo a quem nada tem a ver com o episódio.
A própria matéria jornalística usada como “prova” no vídeo de Arruda desmentia a narrativa fantasiosa por ele criada.
A cifra milionária citada no material envolvia terceiros e escritórios completamente alheios a Gustavo Rocha.
“A postagem foi divulgada durante o período de campanha e associa a pessoa do candidato a vice-governador ao recebimento supostamente irregular de valores decorrentes de escândalo financeiro. A narrativa possui aptidão para desqualificar sua imagem perante o eleitorado. Desse modo, a publicação ultrapassa os limites da liberdade de expressão e da atividade jornalística, caracterizando propaganda eleitoral negativa mediante divulgação de fato sabidamente inverídico”, destacou em sua decisão o juiz eleitoral Rafael Moreira Mota.
Não havia investigação, não havia denúncia e não havia vínculo. Havia, apenas, a sanha irresponsável de produzir um corte para redes sociais, disparar um título chamativo e envenenar a mente do eleitor.
Para quem carrega no próprio currículo o estigma da inelegibilidade e históricos que envergonham a capital da República, apelar para o terrorismo reputacional contra adversários não reflete força; reflete o desespero de quem não tem autoridade moral para o debate de ideias.
A pronta intervenção do TRE-DF envia um recado amargo e necessário a quem imagina que as redes sociais são uma terra sem lei, onde a honra alheia pode ser tripudiada impunemente.
O direito à livre manifestação e à crítica política é sagrado na democracia, mas a manipulação covarde de fatos sabidamente falsos para tentar desequilibrar uma disputa eleitoral é crime contra o eleitor.
Brasília já pagou um preço alto demais por escândalos, esquemas e pela política do “vale-tudo”.
Ver um político como José Roberto Arruda, com pendências graves na Justiça, tentar retornar ao cenário valendo-se das mesmas táticas obscuras do passado é um insulto à inteligência do cidadão do DF.
A decisão judicial que mandou varrer a mentira do Instagram é um sopro de higienização do processo eleitoral.
Resta saber até quando a política do Distrito Federal continuará refém daqueles que insistem em fazer da mentira sua principal ferramenta de trabalho.
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