O Maranhão carrega, há décadas, uma contradição que deveria envergonhar qualquer gestão pública: abriga um dos mais valiosos acervos arquitetônicos da América Latina e uma das mais ricas e autênticas culturas populares do Brasil.
Ainda assim, esse patrimônio extraordinário é tratado com descaso, mal preservado e subaproveitado, desperdiçando um potencial capaz de impulsionar o turismo, gerar emprego, renda e desenvolvimento para o estado.
Seria uma forma de livrar o Maranhão do topo da pobreza nacional, posição que ocupa há tanto tempo que já parece destino.
Uma omissão repetida por décadas de governos que trataram a cultura e o turismo como capítulo secundário, quando deveriam ser motor central da economia maranhense.
São Luís, a capital mais portuguesa do Brasil, tinha tudo para ser vitrine internacional, um centro histórico tombado, azulejos centenários, uma arquitetura que outros estados venderiam a preço de ouro para o turismo mundial.
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Em vez disso, casarões inteiros apodrecem, desabam, viram ruína silenciosa no coração da cidade.
Cada casarão abandonado, cada grupo folclórico desrespeitado e cada artista esquecido representam mais do que descaso com a cultura.
São oportunidades perdidas de gerar emprego, renda e dignidade para milhares de maranhenses.
Enquanto o São João de Campina Grande e o de Caruaru transformaram suas tradições em um poderoso motor de desenvolvimento, gerando emprego, renda, turismo e projeção nacional, o Maranhão segue um caminho oposto.
Mesmo sendo dono de um dos ciclos juninos mais ricos e autênticos do Brasil, o estado ainda mantém sua maior manifestação cultural praticamente invisível para grande parte do país, desperdiçando uma oportunidade de transformar cultura em desenvolvimento econômico.
A falta de investimento e de promoção faz com que os grandiosos espetáculos populares de São Luís permaneçam, em grande parte, conhecidos apenas pelos próprios maranhenses.
A diferença é evidente nos números. Enquanto o São João de Campina Grande atraiu cerca de 3,5 milhões de visitantes ao longo dos 33 dias de programação de junho, a capital maranhense recebeu apenas 197 mil turistas desembarcados no Aeroporto Internacional de São Luís no mesmo período.
.Nesse cenário de descaso institucional, o jornalista, escritor e ativista Herbert de Jesus Santos tem sido uma das poucas vozes que não se calam.
Crítico contundente da forma como o poder público trata os grupos de bumba-meu-boi, que sozinhos transformam São Luís no maior arraial vivo do Brasil, ele denuncia a lógica humilhante imposta a esses grupos.

Para Herbert, priorizar a contratação de artistas nacionais famosos não é acaso, é política deliberada de apagamento do potencial artístico do Maranhão.
“Quando o poder público prioriza atrações de fora e deixa os grupos artísticos locais em segundo plano, passa a mensagem de que a nossa cultura vale menos. Isso enfraquece a identidade do Maranhão e desperdiça um patrimônio que poderia projetar o estado para o mundo.”
E há ainda a humilhação financeira: grupos folclóricos que sustentam o espetáculo com o próprio suor recebem contratos reduzidos, pagos com meses de atraso, quando são pagos. Sobre isso, Herbert já resumiu o problema de forma direta.
“Não é um favor pagar os grupos folclóricos em dia; é uma obrigação. Quem sustenta a maior manifestação cultural do Maranhão não pode continuar financiando a festa do próprio bolso enquanto espera meses para receber”.
O jornalista afirmou ainda que o parlamento estadual precisa urgentemente de representantes que coloquem a cultura no centro do debate.
“É preciso legislar, fiscalizar e garantir recursos permanentes para que os nossos artistas e grupos tradicionais vivam com dignidade e projetem o Maranhão para o Brasil e o mundo. A mudança só vai acontecer quando a força da cultura popular do Maranhão conseguir quebrar o silêncio de quem deveria cuidar dela”, disse Herbet de Jesus Santos.



