Radar Político/Opinião DIREITO DE RESPOSTA

Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

No DF, todos querem mandato de federal; poucos aceitam ser escada

Publicado em

À medida que as eleições gerais se aproximam, o Distrito Federal vive um daqueles períodos em que a política parece mais um tabuleiro instável do que um jogo de estratégia bem calculado.

Passado o recesso informal de início de ano, a constatação é pouco animadora para a maioria das legendas: faltam nominatas competitivas para a Câmara dos Deputados, justamente a arena que garante não apenas visibilidade nacional, mas também acesso aos generosos cofres do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário.

No DF, eleger deputado federal nunca foi apenas uma questão de prestígio. Trata-se de sobrevivência partidária.

Sem uma chapa minimamente robusta, o risco não é apenas ficar sem cadeira em Brasília, mas perder musculatura financeira e relevância política já no curto prazo.

Nesse cenário, o PSD talvez seja o caso mais emblemático de desorientação. A intervenção direta do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, ao abrir espaço para o inelegivel Jose Roberto Arruda, teve efeito imediato: provocou a debandada dos dois únicos deputados distritais do partido no DF.

O resultado foi um esvaziamento quase completo da legenda local, que agora navega sem nominata clara e sem um nome capaz de puxar votos de forma consistente.

Alberto Fraga, que chegou a flertar com a ideia de migrar para o PSD, percebeu rapidamente a armadilha: sem um puxador de votos, a eleição vira um salto no escuro. O PL, onde ele permanece por ora, tampouco oferece garantias sólidas.

Já Izalci Lucas procura uma saída honrosa da política. Ele busca ser o vice do inelegível Arruda.

Por trás dessa fidelidade quase canina nutrida pelo inelegível, Izalci tem esperança, torce e manda tocar tambor para acontecer com Arruda em 2026 o mesmo que ocorreu em 2014, 2018 e 2022: a manutenção da inelegibilidade.

Assim como Frejat substituiu Arruda em 2014, Izalci gostaria muito de substituir o inelegível na disputa pelo Buriti este ano

No PL, a situação é ligeiramente mais otimista, com Thiago Manzoni despontando como uma figura de representatividade.

No entanto, ainda é uma dúvida se a sua votação servirá de motor para eleger um segundo deputado federal. Ele não é uma Bia que puxou Fraga em 2022. Essa possibilidade permanece como um grande ponto de interrogação.

O partido bolsonarista corre o risco de desperdiçar capital político na disputa pela Câmara dos Deputados, justamente em um território onde o eleitorado conservador ainda é numeroso e ativo.

União Brasil e PP enfrentam dilemas semelhantes. As conversas de bastidores são intensas, os nomes circulam, mas as chapas seguem incompletas.

A preocupação central é matemática: atingir o quociente eleitoral. Sem isso, toda articulação vira exercício retórico.

À esquerda, o cenário também é de incerteza. A federação entre PT, PV e PCdoB ainda não consegue responder à pergunta básica: quem, afinal, será eleito deputado federal? E quem herdará o tradicional número 1313, historicamente associado a Erika Kokay?

No PSB, partido que já governou o DF, a escassez de quadros competitivos ameaça deixar Rodrigo Rollemberg sem escada e com a brocha na mão.

Sua tentativa de reabilitar politicamente Cristovam Buarque soa mais como uma grife  nostálgica sem voto. O ex-senador está afastado da política há tempo suficiente para tornar incerto seu potencial eleitoral.

O Solidariedade vive uma incógnita personificada em José Antônio Reguffe. Fora do jogo há anos, resta saber se seu capital político resistiu ao tempo e ao silêncio.

Em contraste com esse cenário de indefinições, o Republicanos chama atenção pela organização.

Com nomes já definidos, Fred Linhares à frente, seguido por Júlio, Paulo Fernando e Cristiane Brito, o partido entra na corrida com uma chapa desenhada e um discurso de previsibilidade rara neste início de ano eleitoral.

O MDB também está em situação mais confortável para a disputa proporcional à Câmara bem melhor do que 2022.

O deputado Rafael Prudente conta com uma nominata formada por nomes já testados nas urnas, como o deputado distrital Daniel Donizet, que obteve mais de 30 mil votos.

Completam a lista o secretário de Governo, José Humberto Pesão, e a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá. Pela soma dos votos pode eleger dois federais.

Já as legendas como Avante, Agir, Mobiliza, PRD e Missão parecem condenadas a um papel coadjuvante na política brasiliense. Alguns desses partidos podem no máximo eleger candidatos a distritais.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

Siga o perfil do Radar DF no Instagram
Receba notícias do Radar DF no seu  WhatsApp e fique por dentro de tudo! Entrar no grupo

Siga ainda o #RadarDF no Twitter

Receba as notícias de seu interese no WhatsApp.

spot_img

Leia também

DF acende alerta para incêndios florestais

O Distrito Federal enfrenta um período de estiagem e está há 54 dias consecutivos sem...

Mais Radar

Delmasso detona Cappelli e diz que Rollemberg tem vergonha de voltar ao Buriti

Delmasso detona Capelli no Vozes da Comunidade: “é mandado por Rollemberg”, que tem vergonha de se candidatar por projeção eleitoral pífia. Critica atuação na UNE e prevê vitória de Celina Leão no 1º turno + duas senadoras.

Uma leitura que ninguém fez sobre os salamaleques de Michele Bolsonaro

Michelle Bolsonaro declarou apoio a Celina Leão, mas os elogios a José Roberto Arruda deixam claro que a ex-primeira-dama desconhece o jogo para impedir o avanço da direita no DF.

Arruda com os dias contados e Paula Belmonte caminha isolada e sozinha

Incertezas marcam o PSD de Arruda e o PSDB de Paula Belmonte no DF. Entre riscos judiciais e isolamento político, as candidaturas ao Palácio do Buriti chegam neste início de campanha cercadas de dúvidas e desdobramentos.

ABERRAÇÃO DA LEI: Inelegíveis gastam fortuna pública sem certeza de posse

Candidatos inelegíveis, como Arruda, continuam queimando milhões de verbas públicas em campanhas. Uma aberração da lei eleitoral que custa caro ao seu bolso. Até quando o STF vai permitir isso?

Celina Leão manda recado aos adversários que se ocupam da caça à Leoa

A “caça à Leoa” promovida pelos adversários na disputa pelo Buriti virou mote da campanha de Celina Leão neste domingo. Em vídeo, ela rebate os ataques e diz que prefere “caçar problemas para resolver”.
- PUBLICIDADE -

Últimas do Radar Político