Radar Político/Opinião DIREITO DE RESPOSTA

Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

História que precisa ser contada: Críticas ao PPCUB é choro de ex-governadores

Publicado em

Em 2007, um ano após ter tomado posse como governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda enviou um projeto de Urbanismo/URB para área tombada de Brasília à Câmara Legislativa, que morreu antes de qualquer debate.

Arruda caiu com o seu vice, um dos maiores incorporadores imobiliários do DF, Paulo Octávio, tragados pelo escândalo Caixa de Pandora sem completar o governo.

Na semana passada, Arruda se levantou do túmulo político em que estava para dizer que o novo Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), feito pelo governo Ibaneis Rocha (MDB), “provocará o adensamento urbano e que o Plano de Lúcio Costa não pode ser destruído”.

Se voltarmos a linha do tempo, o que diz Arruda hoje, não é diferente do que dizia em seus inflamados discursos o então senador Rodrigo Rollemberg (PSB), antes de se tornar governador do DF em 2014.

Da tribuna, Rollemberg bracejava contra o PPCUB do governo Agnelo Queiroz (PT), uma cópia do texto produzido pelo governo anterior, enviado em 2013 à Câmara Legislativa.

Rollemberg acusava Agnelo de querer lotear o Eixo Monumental e promover a concessão de áreas nas entrequadras para a iniciativa privada.

Também apontava que o governo petista queria mudar a destinação da quadra 901 Norte, além de criar a quadra 500 no Sudoeste e a implantação de um novo setor habitacional para 50 mil pessoas próximo à Rodoferroviária.

Rollemberg se dizia ter a  impressão de que  Agnelo estava se submetendo aos interesses da especulação imobiliária com a complacência de Geraldo Magela, então secretário de Habitação.

E dizia mais: que o documento mal elaborado pelo governo petista previa a construção de mais uma cidade, um núcleo urbano com prédios de até 27 metros, aleijando a área tombada pela Unesco como Patrimônio Mundial. Agnelo foi obrigado a recuar da proposta.

O então líder do PT, deputado Chico Vigilante, justificou que a decisão foi tomada a pedido dele.

Quem mais combateu o PPCUB foi a turma do Rollemberg. O projeto não tem nenhuma ilegalidade, mas já que estão fazendo uma guerra política, pedi que retirasse. Quero ver a cara do novo governador quando enviar um projeto igualzinho em 2015″, disse o parlamentar na época.

Não deu outra. Em 2015, foi a vez de o próprio Rollemberg provar do mesmo veneno.

O pior governo da história do DF, copiou e colou o mesmo texto do antecessor. Era o mesmo do mesmo. Só mudou o carimbo.

Na época, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha de Lúcio Costa, fez duras criticas ao  governador Rollemberg e sugeriu a ele que mandasse o projeto do PPCUB  para a lata do lixo.

O tiroteio foi tão grande que Rollemberg resolveu também desistir do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília após os deputados distritais devolverem a proposta.

Dezessete anos depois, uma proposta de cara nova foi apresentada em março desse ano pelo governo Ibaneis Rocha e aprovada no último dia 19 por 18 dos 24 deputados distritais.

Durante a sua tramitação pela Casa Legislativa, o novo plano foi alterado por mais de 100 emendas feitas por parlamentares.

O governo já se posicionou que irá vetar algumas emendas consideradas absurdas, como as de autoria da deputada Mazoni, que determinam a construção e alojamentos nas quadras 700 e 900 das asas Sul e Norte, incluindo hotéis e motéis.

Também serão vetadas emendas ao texto que autoriza a ocupação do Parque dos Pássaros, o que afastará a possibilidade de construção de um camping no local, além da permissão de comércio e prestação de serviços no Setor de Embaixadas e alteração de lotes na W3 Sul.

É bom que se diga que os vetos de Ibaneis não são por causa do bumbo tocado pela oposição ou pelos ex-governadores que não conseguiram emplacar o PPCUB durante as suas respectivas gestões.

Os vetos visam garantir um Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico que sane uma dívida histórica da classe política local com a cidade, e que adeque Brasília à modernidade e ao seu crescimento, sem descaracterizar os elementos que levaram ao tombamento e deram à capital federal o título de Patrimônio da Humanidade.

Gritar contra isso é choradeira dos que não tiveram coragem de fazer.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

Siga o perfil do Radar DF no Instagram
Receba notícias do Radar DF no seu  WhatsApp e fique por dentro de tudo! Entrar no grupo

Siga ainda o #RadarDF no Twitter

Receba as notícias de seu interese no WhatsApp.

spot_img

Leia também

Fracasso anunciado: Bia terá de ir além do bolsonarismo se quiser chegar ao Senado

Bia Kicis teve 214 mil votos em 2022, mas ainda não transformou aquela força eleitoral do passado em liderança no presente na corrida ao Senado. Se insistir no discurso ideológico, pode não convencer os milhares de eleitores indecisos.

Mais Radar

Fracasso anunciado: Bia terá de ir além do bolsonarismo se quiser chegar ao Senado

Bia Kicis teve 214 mil votos em 2022, mas ainda não transformou aquela força eleitoral do passado em liderança no presente na corrida ao Senado. Se insistir no discurso ideológico, pode não convencer os milhares de eleitores indecisos.

Pesquisa Datafolha revela a magreza do PT e a crise da esquerda no DF

O Datafolha acendeu a luz amarela no PT do DF: Flávio Bolsonaro lidera Lula, enquanto Leandro Grass patina na corrida ao Buriti, estacionado em 11%. O resultado do Datafolha escancara a crise da esquerda brasiliense.

Delmasso detona Cappelli e diz que Rollemberg tem vergonha de voltar ao Buriti

Delmasso detona Capelli no Vozes da Comunidade: “é mandado por Rollemberg”, que tem vergonha de se candidatar por projeção eleitoral pífia. Critica atuação na UNE e prevê vitória de Celina Leão no 1º turno + duas senadoras.

Uma leitura que ninguém fez sobre os salamaleques de Michele Bolsonaro

Michelle Bolsonaro declarou apoio a Celina Leão, mas os elogios a José Roberto Arruda deixam claro que a ex-primeira-dama desconhece o jogo para impedir o avanço da direita no DF.

Arruda com os dias contados e Paula Belmonte caminha isolada e sozinha

Incertezas marcam o PSD de Arruda e o PSDB de Paula Belmonte no DF. Entre riscos judiciais e isolamento político, as candidaturas ao Palácio do Buriti chegam neste início de campanha cercadas de dúvidas e desdobramentos.
- PUBLICIDADE -

Últimas do Radar Político