Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Dois projetos de poder movimentam CLDF e Buriti sem o aval de Celina

A 66 dias da posse, Wellington Luiz e Gustavo Rocha já participam das articulações na tentativa de influenciar o novo governo.

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Faltando 66 dias para a posse da governadora reeleita Celina Leão (PP), Brasília assiste a uma movimentação política que merece atenção.

Antes mesmo da instalação do novo governo, dois projetos de poder parecem ganhar forma, tendo como protagonistas o presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), e o vice-governador eleito, Gustavo Rocha (Republicanos).

Os dois se uniram, um ajudando o outro, em uma mesma caminhada.

De um lado, está Wellington Luiz, que articula sua permanência, pela terceira vez, na presidência da Câmara Legislativa, excluindo partidos e deputados da base governista.

Do outro, Gustavo Rocha já se autoproclama chefe da Casa Civil do futuro governo Celina e candidato a governador do Distrito Federal em 2030. Tudo isso sem combinar com os russos.

O vice-governador, que ainda não tomou posse, demonstra que não pretende ser discreto. Dá entrevistas, participa de reuniões com deputados distritais e se envolve na disputa pela nova Mesa Diretora, além de reunir deputados federais e senadores.

Na semana passada, reuniu-se com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e parlamentares da bancada do DF para defender a manutenção das regras de atualização do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF).

Amanhã, segundo a agenda, concederá entrevista ao Correio Braziliense sobre o futuro governo.

Enquanto isso, no mapa da próxima composição de poder da Câmara Legislativa, Wellington Luiz, para garantir mais um mandato na presidência da CLDF, faz dobradinha com sete deputados de oposição que prometem ser ferozes com o governo Celina.

Se essa articulação se confirmar, estará em formação uma aliança com potencial para influenciar tanto a escolha da nova Mesa Diretora quanto a distribuição de espaços estratégicos na estrutura do próximo governo.

A pergunta inevitável, que não quer calar, é: Celina concorda com essa movimentação? Ela vai aceitar ser “rainha da Inglaterra“?

Até o momento, não houve manifestação pública da governadora eleita que confirme sua aprovação.

Celina tirou dez dias de merecido descanso após a peleja eleitoral que garantiu sua reeleição.

Portanto, ela tem legitimidade para conduzir a formação de sua equipe e estabelecer as relações políticas com o Legislativo local e o Congresso Nacional.

Quem imagina que a disputa pela nova composição da Mesa Diretora correrá livre, sem sua participação, pode estar enganado.

Quanto a Gustavo Rocha, é preciso lembrar que a condição de vice-governador não lhe confere autorização para falar em nome de um governo que ainda nem tomou posse, muito menos para antecipar articulações em torno da sucessão de uma gestão que sequer começou.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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