Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

A guerra continua: Celina terá de blindar o DF contra a política hostil de Lula e do PT

Depois da vitória nas urnas, a governadora reeleita do Distrito Federal precisa ampliar alianças na CLDF e no Congresso Nacional, bem como entregar resultados até 2030

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A eleição acabou, mas a guerra política está longe do fim. Celina Leão (PP), reeleita governadora do Distrito Federal, terá quatro anos para provar que sua vitória não foi apenas eleitoral, mas também o início de uma gestão capaz de resistir à pressão de adversários que não lhe darão trégua.

O resultado das urnas deixou um recado: o PT perdeu a disputa pelo GDF, mas saiu fortalecido em relação a 2022, quando Leandro Grass foi derrotado por Ibaneis Rocha (MDB).

A oposição local ganhou fôlego e deverá transformar cada dificuldade administrativa em munição política contra a governadora.

No governo federal, que permanece sob o comando do PT, o cenário é ainda mais delicado.

Lula demonstrou hostilidade a Celina durante a campanha, com declarações ofensivas em um comício em Ceilândia.

O presidente da República não precisa gostar da governadora, mas não pode usar o poder federal para prejudicar o Distrito Federal, como, segundo as críticas feitas durante a campanha, teria ameaçado publicamente.

Muitos acreditavam que Celina venceria no primeiro turno.

A diferença de apenas 168 votos para alcançar esse objetivo acabou aumentando o custo de uma estratégia de marketing que teria privilegiado o nome da candidata em detrimento do número 11.

Esse episódio ficou para trás. Agora, é hora de olhar para a frente.

Celina precisa manter sua base política unida na Câmara Legislativa, onde a disputa pela composição da nova Mesa Diretora já está a todo vapor.

Fora do âmbito da CLDF, será indispensável construir pontes no Congresso Nacional, inclusive com o Centrão, representado por lideranças como Ciro Nogueira, Hugo Motta e Davi Alcolumbre.

No novo mandato de Lula, o Centrão poderá funcionar como contrapeso às iniciativas do Planalto e abrir canais de negociação em defesa dos interesses do Distrito Federal.

Não há garantia de que isso ocorrerá, mas a governadora precisará atuar em todas as frentes.

A verdadeira blindagem, contudo, virá dos resultados. Saúde, segurança, educação, mobilidade e a recuperação do BRB não podem ficar reféns da guerra partidária.

Até 2030, o maior desafio de Celina Leão não será enfrentar Leandro Grass (PT) ou os sete deputados distritais da esquerda, mas transformar sua vitória eleitoral em uma gestão sólida, eficiente e reconhecida pela população.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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