A eleição acabou, mas a guerra política está longe do fim. Celina Leão (PP), reeleita governadora do Distrito Federal, terá quatro anos para provar que sua vitória não foi apenas eleitoral, mas também o início de uma gestão capaz de resistir à pressão de adversários que não lhe darão trégua.
O resultado das urnas deixou um recado: o PT perdeu a disputa pelo GDF, mas saiu fortalecido em relação a 2022, quando Leandro Grass foi derrotado por Ibaneis Rocha (MDB).
A oposição local ganhou fôlego e deverá transformar cada dificuldade administrativa em munição política contra a governadora.
No governo federal, que permanece sob o comando do PT, o cenário é ainda mais delicado.
Lula demonstrou hostilidade a Celina durante a campanha, com declarações ofensivas em um comício em Ceilândia.
O presidente da República não precisa gostar da governadora, mas não pode usar o poder federal para prejudicar o Distrito Federal, como, segundo as críticas feitas durante a campanha, teria ameaçado publicamente.
Muitos acreditavam que Celina venceria no primeiro turno.
A diferença de apenas 168 votos para alcançar esse objetivo acabou aumentando o custo de uma estratégia de marketing que teria privilegiado o nome da candidata em detrimento do número 11.
Esse episódio ficou para trás. Agora, é hora de olhar para a frente.
Celina precisa manter sua base política unida na Câmara Legislativa, onde a disputa pela composição da nova Mesa Diretora já está a todo vapor.
Fora do âmbito da CLDF, será indispensável construir pontes no Congresso Nacional, inclusive com o Centrão, representado por lideranças como Ciro Nogueira, Hugo Motta e Davi Alcolumbre.
No novo mandato de Lula, o Centrão poderá funcionar como contrapeso às iniciativas do Planalto e abrir canais de negociação em defesa dos interesses do Distrito Federal.
Não há garantia de que isso ocorrerá, mas a governadora precisará atuar em todas as frentes.
A verdadeira blindagem, contudo, virá dos resultados. Saúde, segurança, educação, mobilidade e a recuperação do BRB não podem ficar reféns da guerra partidária.
Até 2030, o maior desafio de Celina Leão não será enfrentar Leandro Grass (PT) ou os sete deputados distritais da esquerda, mas transformar sua vitória eleitoral em uma gestão sólida, eficiente e reconhecida pela população.
- TSE confirma Celina Leão como primeira governadora eleita do DF
- Brasil e DF vão às urnas neste domingo para escolher seus governantes
- Roberto Rocha fala sobre o “Grito do Silêncio” e a ausência de Jair Bolsonaro
- O eleitor não está nem aí para os “nove dedos” de Lula, exceto a velha imprensa
- Quem não consegue reformar uma praça não pode transformar Brasília em 90 dias



