Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Celina corta farra dos aluguéis e e compra briga com poderosos do DF

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A decisão da governadora Celina Leão (PP) de transferir órgãos do Governo do Distrito Federal para o Centro Administrativo (CENTRAD), em Taguatinga, desocupado há 12 anos, revelou a histórica e estreita ligação entre negócios privados e poder público no Distrito Federal.

A medida anunciada por Celina busca reduzir os elevados gastos com aluguéis de imóveis particulares, que superam R$ 1 bilhão por ano.

A Secretaria de Saúde, por exemplo, funciona em um prédio da Asa Norte pertencente ao empresário e político Paulo Octávio (PSD), gerando uma despesa anual superior a R$ 10 milhões aos já surrados cofres públicos. Com todos os imóveis de propriedade dele, somam  mais de 300 milhões anuais.

A migração para o complexo público representaria uma economia significativa, mas não agradou por causar impacto direto nos rendimentos do locador.

Paulo Octávio, ex-vice-governador, chegou a assumir o cargo de governador por 13 dias, em 2010, após a prisão e o afastamento do então titular, José Roberto Arruda.

A passagem meteórica de PO ocorreu em meio à perda de apoio político provocada pelo escândalo da Operação Pandora.

PO saiu da moita e declarou apoio incondicional ao inelegível José Roberto Arruda como candidato ao governo em 2026, posicionando o PSD contra Celina.

A chantagem aberta ocorreu justamente após o anúncio da transferência de órgãos do GDF para o CENTRAD.

O político, conhecido por navegar com os pés fincados em duas canoas, seja ela de esquerda ou de direita, desde que esteja no poder, emplacou o filho, André Kubitschek, como secretário da Juventude, pasta criada especialmente para ele em setembro de 2025.

André deixou o PSD e filiou-se ao PL para manter o apoio à base governista, manobra que ilustra muito bem as posições dúbias de Paulo Octávio.

O CENTRAD, construído por meio de uma polêmica Parceria Público-Privada (PPP), permanece como símbolo de desperdício enquanto secretarias ocupam imóveis alugados de aliados.

A iniciativa de Celina é vista pela população como um gesto de austeridade, mas enfrenta resistência de quem lucra com os milionários aluguéis pagos pelo governo.

A decisão de Celina de acabar com a farra dos aluguéis milionários pode até representar prejuízo para alguns locadores, mas é aplaudida pelo povo, que é quem realmente paga a conta.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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