Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

A fila anda: saída de Michelle e Ibaneis pode eleger a esquerda do DF no Senado

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A política funciona à base de expectativas. Quando uma figura pública deixa o tabuleiro eleitoral, o poder da liderança evapora de uma hora para outra e a sua capacidade de influenciar decisões futuras cai drasticamente.

Foi exatamente isso que aconteceu com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), eleito em primeiro turno para o segundo mandato em 2022.

Ao anunciar que não seria mais candidato ao Senado, caminho natural para governadores em fim de mandato, seu nome foi, aos poucos, desaparecendo  do mapa e da memória do eleitorado brasiliense.

No levantamento da Paraná Pesquisas, divulgado recentemente, Ibaneis é lembrado por apenas 0,7% dos entrevistados no cenário espontâneo, índice que demonstra uma baixa lembrança, apesar de sua expressiva notoriedade política no Distrito Federal.

Embora registre 0,7% no cenário espontâneo, o ex-governador não aparece em nenhum dos cenários estimulados apresentados pela Paraná Pesquisas.

Isso significa que o instituto não testou seu potencial eleitoral com o nome incluído na lista de candidatos, impossibilitando uma comparação direta entre o voto espontâneo e o estimulado.

Assim, a pesquisa apenas demonstra que, espontaneamente, Ibaneis ainda é lembrado por uma parcela reduzida do eleitorado, mas não permite medir sua força efetiva em uma eventual disputa pelo Senado.

Esse mesmo fenômeno começa a atingir Michelle Bolsonaro (PL) após anunciar que pretende se afastar da política para se dedicar aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

É fato que, no levantamento da Paraná Pesquisas, a ex-primeira-dama lidera o cenário espontâneo, com 4,9% das citações, seguida por Erika Kokay (3,0%), Leila do Vôlei (2,7%) e Bia Kicis (1,6%).

Já no cenário estimulado, quando os nomes são apresentados aos entrevistados, o quadro muda significativamente.

No primeiro cenário, Michelle Bolsonaro registra 36,0% das intenções de voto, ficando atrás de Leila do Vôlei, que alcança 39,2%.

Se Michelle realmente confirmar sua saída da disputa, como anunciou, a tendência apontada pelo levantamento é de que as duas vagas ao Senado sejam ocupadas por candidatas de esquerda: Leila do Vôlei e Erika Kokay.

É essa a configuração retratada pela pesquisa, caso a ex-primeira-dama permaneça fora da corrida eleitoral. Veja os dois recortes:

De acordo com a Resolução-TSE n.º 23.600/2019, essa pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o n.º DF-01326/2026 para os cargos de Governador e Senador.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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