Radar Político/Opinião DIREITO DE RESPOSTA

Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

“A dor de Sarah não pode se repetir no DF”, diz Roosevelt Vilela

Publicado em

A morte de Sarah Raíssa Pereira de Castro, uma menina de oito anos, em Ceilândia, Distrito Federal, chocou o Brasil.

A aluna da Escola Classe 06 faleceu após participar do “desafio do desodorante”, uma trend viral no TikTok que incentiva a inalação de gás de aerossol, levando a uma parada cardiorrespiratória.

O caso, ocorrido na última semana, expôs a vulnerabilidade de crianças frente a conteúdos perigosos nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais e a proteção de menores.

Nesta entrevista, o deputado distrital Roosevelt Vilela (PL), conhecido por sua defesa da família e das crianças, compartilha suas preocupações e propostas para evitar que tragédias como a de Sarah Raíssa se repitam.

O caso de Sarah Raíssa gerou comoção no DF. Como o senhor avalia a gravidade desse tipo de crime cibernético que atinge crianças?

Roosevelt: O que aconteceu com Sarah é uma tragédia que nos corta o coração. Como defensor da família e das crianças, vejo com muita preocupação como criminosos usam essas plataformas para manipular mentes vulneráveis, incentivando automutilação ou até o suicídio disfarçado de ‘desafios’. Não podemos aceitar que nossas crianças sejam alvos tão fáceis.

O senhor mencionou a manipulação nas redes. Quais medidas legislativas podem ajudar a responsabilizar as plataformas digitais?

Roosevelt: As plataformas precisam ser cobradas com urgência. O projeto de lei 2628/2022, que tramita na Câmara dos Deputados, é um passo importante, ao propor uma verificação etária rigorosa, indo além da autodeclaração, que qualquer criança pode burlar. Além disso, as empresas de tecnologia devem investir em algoritmos que bloqueiem a recomendação de conteúdos perigosos, como esses desafios virais, e abandonar designs manipulativos que viciam os jovens. Como legisladores, temos que garantir que essas big techs assumam sua responsabilidade e não fiquem somente lucrando enquanto vidas são perdidas.

Além da regulamentação das plataformas, o que mais pode ser feito para proteger as crianças no ambiente digital?

Roosevelt: Proteger nossas crianças exige um esforço conjunto. A educação digital é fundamental. Projetos como o da SaferNet Brasil, em parceria com a Embaixada do Reino Unido, que já leva cidadania digital a escolas em Pernambuco, Bahia e Distrito Federal, precisam se tornar política nacional. Defendo que a cidadania digital seja disciplina obrigatória no currículo escolar do Distrito Federal e do Brasil.

E como pretende fazer isso?

Estarei encaminhando proposta em caráter de urgência no âmbito da Câmara Legislativa. Não dá para ficar de braços cruzados diante dos números alarmantes de casos de “desafios” em brincadeiras perigosas nas redes, em que ao menos 56 crianças e adolescentes morreram ou ficaram gravemente feridos no Brasil após participarem de desafios online. O número vem sendo utilizado pelo próprio Ministério da Justiça como base para monitorar a escalada desse tipo de prática. O caso de Brasília, que tem como vítima a pequena Sarah, não pode se repetir.

Qual o papel das famílias nesse contexto, deputado?

Roosevelt: A conscientização familiar é essencial. Os pais precisam estar atentos, monitorando o que os filhos acessam e limitando o tempo em redes sociais. Não é sobre invadir a privacidade, mas sobre proteger. Devemos promover o diálogo aberto sobre os riscos online e incentivar denúncias de conteúdos perigosos. Como pai e defensor da família, acredito que a base de tudo é o cuidado e a presença dos pais na vida digital dos filhos.

A caminhada silenciosa em homenagem à Sarah, mostrou a força da mobilização escolar. Como o senhor vê essas iniciativas?

Roosevelt: A mobilização em Ceilândia foi um gesto poderoso de luto, mas também de união. A comunidade escolar, com alunos e professores da Escola Classe 06, deu um exemplo de que juntos podemos cobrar mudanças. Como parlamentar, estou comprometido em apoiar iniciativas que fortaleçam a proteção dos nossos jovens, seja por meio de leis, campanhas ou parcerias com a sociedade civil.  A morte de Sarah Raíssa é um alerta urgente para todos nós. Não podemos permitir que mais crianças sejam vítimas de criminosos cibernéticos.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

Siga o perfil do Radar DF no Instagram
Receba notícias do Radar DF no seu  WhatsApp e fique por dentro de tudo! Entrar no grupo

Siga ainda o #RadarDF no Twitter

Receba as notícias de seu interese no WhatsApp.

spot_img

Leia também

Vai de Graça encerra 2025 com 31,6 milhões de viagens nos ônibus e metrô do DF

O programa Vai de Graça encerrou 2025 com 31.667.479 viagens realizadas sem a cobrança de...

Mais Radar

Juramento em Roma não faz milagre: PGR barra Arruda, o inelegível

Prometeu santidade em Roma, fez juras diante da Basílica de São Pedro e falou em novo homem. Mas, de volta ao Brasil, Arruda encontrou menos fé e mais papel timbrado: para a PGR, milagre não apaga ficha suja nem ressuscita candidatura.

Do Senado ao fogo do inferno: CPMI do INSS assombra Weverton Rocha

Sob a mira da CPMI do INSS, o vice-líder do governo no Senado, Weverton Rocha (MA), enfrenta o pior momento político da carreira. Investigação da PF, queda nas pesquisas e a revolta de aposentados roubados transformam a reeleição em um caminho de incertezas.

O preso e o protegido: o jogo do sistema que molda a eleição de 2026

A agonia de Bolsonaro no cárcere, somada aos aplausos de Lula, pode gerar comoção nacional. Num Brasil movido pela emoção, a dor mobiliza votos e pode virar o jogo contra o presidente petista em 2026, apesar das pesquisas indicarem o contrário hoje.

Ex-deputado reaparece mentindo e acha que eleitor do DF é trouxa

Luiz Miranda reaparece com vídeo confuso, acusa 119 faltas do deputado federal Fred Linhares na Câmara, mas exibe documento que prova 119 presenças. Fake escancarada, erro primário e a velha aposta na memória curta do eleitor do DF.

Aos 95 anos, Sarney reflete com gratidão: “Que o ano não leve nada”

José Sarney reflete com lucidez: "Não quero que o próximo ano me traga nada. A única coisa que quero é que não leve." Cercado pela família, agradece a Deus pela vida e pelas pequenas bênçãos. Uma bela lição de gratidão!
- PUBLICIDADE -

Últimas do Radar Político