Existe um provérbio cruel no cotidiano da política institucional que adverte: quando um deputado perde o mandato, nem o vento bate à sua porta.
A partir de 1º de janeiro de 2027, com a instalação do governo Celina Leão, a distribuição dos espaços políticos no Executivo do Distrito Federal deverá seguir uma nova configuração.
Todo governo precisa construir sua própria base de sustentação. Isso envolve compromissos, alianças e escolhas que nem sempre agradam a todos os grupos que participaram da caminhada eleitoral.
A permanência em cargos estratégicos também depende da capacidade de entregar resultados políticos e administrativos. Afinal, quem não conseguiu se eleger, em muitos casos, é porque não entregou uma coisa nem outra.
Nesse contexto, políticos que saíram enfraquecidos das urnas podem enfrentar dificuldades para reivindicar os mesmos espaços que ocuparam durante a gestão anterior. A roda gira.
A lógica é relativamente simples. Um governo que precisa organizar sua sustentação política tende a olhar com mais atenção para quem consegue agregar votos, mobilizar lideranças e oferecer perspectivas de crescimento eleitoral.
Manter estruturas importantes sob a influência de grupos que acumulam derrotas consecutivas pode deixar de ser interessante do ponto de vista político.
É o caso de Cláudio Abrantes, ex-deputado que dominou a Secretaria de Cultura de porteira fechada; de Delmasso, que teve influência na Secretaria da Família; e de Telma Rufino, administradora de Arniqueiras, entre outros nomes.
Isso não significa que todos estejam automaticamente fora do jogo político ou que deixarão de disputar novamente em 2030, nem que seja ao posto de “bucha de canhão”.
Para resumir, os derrotados de 2022, que conseguiram se agarrar à estrutura do governo, agora terão de caminhar com as próprias pernas. Já os derrotados de 2026 ainda poderão conseguir algum penduricalho na nova administração.
Mas o caminho ficou bem mais estreito.
- República da OAB: 257 procuradores e uma máquina jurídica pesada e gigante
- Tesouro escondido nos condomínios do DF pode salvar ao BRB
- Mário Gilberto Oliveira: uma homenagem tardia, mas merecida
- Acordão de Wellington Luiz com a esquerda pode complicar governo de Celina
- Almoço dos derrotados: República de Itajubá mira retorno de Arruda em 2030



