Wellington Luiz (MDB) pode estar comemorando antes da hora. O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal conseguiu aprovar, na segunda-feira (26), uma proposta de emenda à Lei Orgânica que altera as regras para a escolha da próxima Mesa Diretora.
No entanto, transformar 17 votos em garantia de permanência no cargo é outra história. Tudo pode mudar.
O acordo com sete deputados da esquerda, bem como os dois deputados de direita do partido de Celina, mostrou que Wellington tem trânsito político e capacidade de negociação.
O problema é acreditar que esse entendimento se manterá até a posse da nova legislatura, em janeiro, quando alguns dos envolvidos já não estarão mais na Casa, por terem perdido a eleição.
Na política, não existe almoço de graça. A esquerda também quer espaço, influência e protagonismo na CLDF, com a meta de deitar e rolar em cima do governo.
O preço desse acordo costurado por Wellington poderá aparecer justamente quando o governo de Celina Leão precisar de uma Câmara disposta ao diálogo e de uma base capaz de se contrapor ao discurso de terra arrasada da oposição.
É verdade que o PT, que perdeu força no Distrito Federal após 2014, voltou ao centro da disputa em 2026, levando Leandro Grass ao segundo turno.
Embora derrotado por Celina, o partido recuperou visibilidade perdida há mais de uma década e tem motivos para trabalhar desde já com os olhos voltados para 2030.
Nesse contexto, a oposição ao governo poderá se intensificar, com reflexos na relação entre o Executivo e o Legislativo.
É nesse cenário que a estratégia de Wellington pode se complicar ao dar asas ao PT. Por isso, a aprovação da proposta, cercada por questionamentos jurídicos, não garante sua reeleição à presidência da Casa.
Muito menos lhe assegura o controle sobre deputados de esquerda, prontos para ir ao ataque contra Celina, na tentativa de pavimentar o caminho nos próximos 4 anos ao Buriti.
Talvez tenha sido esse movimento que despertou o olhar de leoa de Celina, decidida a acompanhar tudo de perto e a conversar com os 18 integrantes de sua base, logo que retornar ao batente, daqui a dez dias.
O recado é direto: a governadora não pretende assistir de braços cruzados à formação de uma Mesa Diretora que possa comprometer sua gestão e deixar o governo exposto a bombardeios políticos, como vem ocorrendo desde março, quando assumiu o GDF.
A partir de janeiro, Celina precisará governar sem ficar refém de acordos costurados à sua revelia.
Wellington pode tentar garantir sua permanência, mas terá de explicar a quem servirá essa articulação.
Celina não parece disposta a aceitar o papel de espectadora silenciosa na disputa pelo comando da CLDF.
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