Os principais reservatórios de água do Distrito Federal operam com volumes altos para esta época do ano. O cenário de tranquilidade foi traçado por Raimundo Ribeiro, presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (ADASA), em entrevista ao Vozes da Comunidade, nesta sexta-feira (4).
O gestor traça um panorama otimista sobre o abastecimento de água, garantindo segurança hídrica até 2040 e descartando riscos de racionamento a curto prazo. Atualmente, a ADASA, em parceria com a Caesb, garante água nas torneiras de 99% da população do DF.
À frente da agência reguladora desde 2019, Ribeiro destacou que a situação atual é consideravelmente mais confortável do que a registrada no mesmo período do ano passado, refletindo o sucesso de um planejamento contínuo e de obras estratégicas de infraestrutura.
O ponto focal da entrevista foi a robustez dos níveis dos espelhos d’água, mesmo diante da ausência prolongada de chuvas. O Sistema Descoberto, principal responsável pelo abastecimento de grande parte do DF, registra 85,3% de sua capacidade neste início de setembro. O reservatório de Santa Maria apresenta um índice ainda mais elevado, operando com 92,2% de volume útil.
“A situação é relativamente tranquila em relação ao mesmo período do ano passado. O volume armazenado hoje supera o de 2025. Essa condição coloca Brasília em uma posição de destaque nacional, figurando entre as capitais com maior oferta e segurança no abastecimento de água”, destaca Raimundo.
A atual calmaria hídrica é fruto de uma mudança na gestão após a severa crise vivida entre 2016 e 2018. Ribeiro foi enfático ao criticar a gestão do ex-governador Rollemberg, classificando o governo da época como “preguiçoso”.
“Foi avisado que algumas medidas precisariam ser adotadas, mas ele não fez nada”, disparou o presidente da ADASA. Ele relembrou que assumiu a agência em 2019, em um momento pós-crise, focado em implementar um planejamento sólido a curto, médio e longo prazo. O gestor ressalta que não tem como esperar a crise acontecer para tratar o problema.
Estratégia e o Papel do Consumidor
Parte fundamental dessa segurança hídrica vem da integração de sistemas, como o de Corumbá 4. Ribeiro destacou o acordo com o estado de Goiás, que assegura água suficiente para atender a população do DF e do Entorno, lembrando a interconexão social e econômica entre as duas regiões. “Brasília e Goiás se misturam. É a mesma população que trabalha ou busca atendimento médico aqui”, observou.
Para o futuro, a meta é continuar expandindo a rede. A ADASA mantém a recomendação para que a Caesb finalize o planejamento de atendimento a todos os condomínios do DF. Ribeiro explicou que, embora a ADASA não execute obras diretamente — papel que cabe a secretarias e empresas públicas como Terracap e Novacap —, a agência atua como órgão regulador, fiscalizador e, se necessário, sancionador.
“Estabelecemos as ordens para que a prestação de serviço seja correta, recomendando investimentos prioritários e, após feitos, fiscalizando-os”, detalhou o presidente.
Apesar dos números positivos e da garantia de abastecimento pelas próximas décadas, Raimundo Ribeiro encerrou com um alerta sobre a necessidade de consumo consciente. O fato de os reservatórios estarem cheios não deve ser interpretado como um “cheque em branco” para o desperdício.
“Isso nos dá uma certa tranquilidade, mas não faz com que deixemos de nos preocupar. A água é um bem finito, e temos que entender que, em termos hidrológicos, o ano não se encerra de acordo com o calendário”, advertiu, reforçando a orientação para que as pessoas continuem utilizando a água de forma racional.
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