Quem me lê, aqui ou já na época do jornalismo impresso, sabe que muito jovem ingressei, ainda na universidade, nas fileiras comunistas. Não renego nada.
Ali fiz umas duas amizades que se estendem pela vida, mas não menos importante, aprendi o fundamental de política.
Paralelamente, cuidei de meu ofício de jornalista e de poeta, lendo como um esfomeado diante de um prato de comida.
Hoje temos uma classe média sem capacidade de pensar, fruto do calculado desmantelo da educação em todos os níveis.
Uma gente preparada para repetir slogans, clichês, ou seja, para seguir e dar opinião da feira a respeito do que não entende. É a classe média de rede social. É a classe média do lulopetismo e do bolsonarismo.
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Há um exemplo fundamental para entender o que acabo de dizer: a criação do partido A Missão. Os repetidores do lulopetismo chamam os integrantes desse partido de extrema-direita.
Os repetidores do bolsonarismo os chamam de esquerdistas. Ora, quando repetidores de dois grupos diferentes se referem a um mesmo objeto com afirmações tão discrepantes; bom, é sinal de que ambos perderam a capacidade de pensar.
Ambos não sabem o que dizem, só repetem o que os chefões a quem servem querem que repitam.
Acontece que os jovens do A Missão são os únicos hoje que demonstram ter entendido o processo político. Estão dando todos os passos certos.
Criaram um movimento político (MBL), formaram uma militância, mantêm cursos para qualificação dessa militância, criaram uma revista impressa, criaram uma editora e um clube do livro e trataram de ocupar espaços poderosos na internet.
Quem havia feito algo semelhante antes? Somente a esquerda. E, claro, deu certo. O PT chegou ao poder precedido justamente por ações como essa.
Ficou hegemônico em todas as áreas: meios de comunicação, editoras, escolas e universidades, sindicatos, associações etc. Não há outra forma de ter o poder. Os bolsonaristas não fazem a menor ideia do que seja isso. Por isso chegaram à presidência e nunca tiveram o poder.
Em regra, o Brasil conta apenas com um partido político, o PT. O resto dos partidos de esquerda é apenas linha auxiliar do PT.
Fora desse campo há uma confederação de partidos de aluguel, o Centrão, que sempre está com quem tem o poder, independente de ideologia.
Pois agora há o segundo partido que se pode chamar de partido, justamente A Missão. Por ter feito a lição de casa corretamente, com seis meses de existência conta com um candidato a presidente da República, Renan Santos, que em todas as pesquisas aparece em terceiro lugar. É a única notícia boa no campo político e no da eleição deste ano.


