Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o deputado federal Rafael Prudente (MDB) critica o esforço da governadora Celina Leão para salvar o Banco de Brasília (BRB) da linha vermelha da liquidação traçada pelo Banco Central.
Com tom de indignação seletiva, Prudente aponta o dedo para a atual gestão, como se o rombo bilionário fosse um problema surgido do nada ou obra exclusiva da sucessora de Ibaneis Rocha.
O que o deputado “esqueceu” de mencionar, convenientemente, é que o maior escândalo financeiro envolvendo um banco público no Distrito Federal ocorreu exatamente durante o governo do seu próprio partido, o MDB, sob a batuta de Ibaneis.
Foram mais de R$ 12 bilhões em operações suspeitas com o Banco Master, segundo investigações da Polícia Federal e estimativas do próprio BRB.
Entre 2024 e 2025, o banco estatal injetou bilhões em carteiras de crédito podres, com fortes indícios de fraude.
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Um verdadeiro assalto à mão desarmada, que comprometeu o patrimônio do Distrito Federal.
Agora, Celina Leão luta para sanear as contas, injetar capital de forma responsável e evitar o fim do banco e o desemprego em massa que atingiria mais de 600 funcionários.
A rusga é clara: Celina passou o rôdo nas inúmeras prorrogações de contratos milionários, feitas no apagar da gestão mdebista, segundo a governadora Celina, especialmente no IGES-DF.
Auditorias revelaram mais de R$ 4 bilhões em aditivos e prorrogações questionáveis, prontamente anulados pela governadora em um esforço para tirar do sufoco os combalidos cofres públicos, provocado pelo rombo no BRB.
O vídeo de Rafael Prudente para criticar as medidas de Celina para sanear a receita, também é parte de um golpe interno no MDB contra o atual presidente da legenda no DF, o deputado distrital Wellington Luiz, presidente da Câmara Legislativa.
Wellington defende o apoio à reeleição de Celina Leão, que, não por acaso, foi vice de Ibaneis.
Daí o golpe em curso para tirar o distrital Wellington Luiz do comando do partido no DF.
O movimento nesse sentido foi feito pelo próprio Rafael Prudente, em carta endereçada a Baleia Rossi, presidente nacional do MDB. A decisão pode sair na próxima quinta-feira (11).
“Eles podem fazer ou dizer o que quiserem”, reagiu Celina, que já delimitou um campo político próprio com a frase “sucessão não é submissão” e vem combatendo o rastro de rombos e contratos prorrogados deixados pelo caminho como verdadeiras armadilhas.
É legítimo debater a nova gestão, que tenta tirar o BRB do buraco, e os desafios fiscais do DF enfrentados por Celina.
O que não se pode aceitar é a hipocrisia de um partido (MDB), cúmplice do problema, agora posar de salvador, como vêm fazendo Rafael Prudente, Hermeto, Iolando e Jaqueline Silva.
O curioso é que toda essa turma continua com uma montoeira de cargos dentro do atual governo. Mas essa é uma outra história.
Rafael Prudente tem o direito de criticar Celina, mas tem o dever de contar a história completa e sem rodeios, dando nome aos bois no maior assalto financeiro de um banco público da história recente do país, sem esquecer de detalhar a cumplicidade do seu partido, o MDB.



