“A sociedade precisa colaborar com o combate ao incêndio”. Essa foi a principal mensagem do Comandante do Grupamento de Proteção Ambiental (GPRAM), Tenente-Coronel Marcelino.
O Comandante esteve presente, na manhã deste sábado (30), no programa Vozes da Comunidade, apresentado pelo jornalista Toni Duarte.
Em uma conversa esclarecedora, ele alertou para os riscos climáticos que o Distrito Federal enfrenta e, principalmente, para o papel vital da população na preservação do bioma.
O cenário para este ano exige atenção redobrada. Segundo o Tenente-Coronel, existe uma probabilidade de 90% de ocorrência do fenômeno El Niño, cujos efeitos são intensificados pelo aquecimento global. “Esse fenômeno altera drasticamente o regime de chuvas e as temperaturas, tornando o Cerrado um terreno fértil para grandes queimadas”, ressalta.
Devido à “Barreira de Previsibilidade da Primavera” — período entre abril e junho onde a margem de erro meteorológico é maior —, o Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF) iniciou uma mobilização antecipada, focando especialmente na comunidade rural para evitar desastres durante a seca.
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A mensagem central do Comandante foi direta: a sociedade precisa parar de usar o fogo como ferramenta de limpeza.
“O que começa como uma simples queima de entulho ou restos de poda pode, em segundos, pode fugir do controle e se tornar um incêndio florestal devastador”, alerta Marcelino.
O uso do fogo de maneira inadequada é desencorajado por decreto do GDF. A estratégia defendida pelo GPA foca na prevenção antes mesmo da primeira faísca.
Quando a sociedade se conscientiza e evita o uso do fogo, é possível diminuir a frequência das queimadas — uma área que arderia a cada 12 meses pode passar até cinco anos preservada, protegendo a massa vegetal e a vida.
“Essa medida de não usar o fogo serve para proteger o patrimônio das pessoas e, principalmente, a vida”, pontuou o Comandante.
O fogo só deve ser utilizado de forma técnica e controlada por especialistas, criando bolsões de proteção para os animais e evitando danos críticos no período de estiagem.
Operação Verde Vivo
Para enfrentar o período de seca, o CBMDF reforçou a Operação Verde Vivo, que este ano apresenta uma capacidade de mobilização superior à de anos anteriores. O dispositivo conta com 200 bombeiros exclusivos para ocorrências florestais, mas o CBMDF tem estrutura para disponibilizar até 1.500 militares para atuar em um único evento, se necessário.
A estrutura logística foi ampliada para 25 bases de atendimento no DF, incluindo 12 postos específicos para o combate a incêndios em vegetação. O diferencial desta edição é o investimento em gestão e alta tecnologia. através do Centro de Gerenciamento Ambiental, a corporação acompanha as ocorrências em tempo real com o auxílio de Inteligência Artificial, drones e satélites para identificar pontos quentes.
Além disso, as equipes utilizam o Sistema de Comando de Incidentes (SCI) — uma ferramenta de gestão de padrão americano — e viaturas especializadas para garantir que o combate seja rápido e eficiente.
Embora o Corpo de Bombeiros esteja mais equipado do que nunca, o sucesso da proteção ao Cerrado depende de cada cidadão. “A recomendação clara é não utilizar o fogo. A segurança ambiental do Distrito Federal começa com a prevenção individual”, ressalta o Tenente-Coronel.

