A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), tem revelado um diagnóstico que há muito tempo circula nos bastidores da política, mas que poucos líderes do campo conservador admitem publicamente: a dificuldade da direita em conquistar o eleitorado feminino.
Ao reconhecer que “uma das principais causas da derrota do nosso campo em 2022 foi o voto feminino”, Celina coloca o dedo em uma das maiores fragilidades estratégicas da direita brasileira.
Segundo a governadora, esse quadro começa a mudar com a crescente participação das mulheres na política.
A presença feminina em cargos de liderança amplia a capacidade de diálogo, diversifica pautas e reduz a percepção de que determinados espaços pertencem exclusivamente aos homens.
Nesse contexto, segundo ela, a aposta em Michelle Bolsonaro como candidata ao Senado deixa de ser apenas uma decisão eleitoral e passa a representar uma estratégia política.
Para Celina, Michelle tornou-se uma das principais lideranças conservadoras junto ao público feminino e pode funcionar como uma ponte entre o eleitorado tradicional da direita e mulheres que ainda demonstram resistência ao bolsonarismo.
O reconhecimento de Celina Leão merece atenção porque rompe com uma narrativa de autossuficiência que frequentemente domina o debate político.
Se a direita pretende ampliar sua competitividade nas próximas eleições, dificilmente conseguirá fazê-lo ignorando mais da metade do eleitorado brasileiro.
Nesse aspecto, Celina Leão sinaliza que o caminho passa menos pelo confronto e mais pela construção de lideranças femininas capazes de falar para as mulheres com legitimidade e protagonismo.
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