Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Corrida pelo Buriti: quando um político inelegível faz o eleitor de “zé mané”

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Em 2014, mesmo inelegível após sair da prisão pela Operação Caixa de Pandora, o ex-governador José Roberto Arruda decidiu ignorar a Justiça Eleitoral e fez campanha abertamente como candidato ao governo do Distrito Federal até 21 dias antes do pleito.

A Justiça o tirou da disputa. Ele foi substituído por Jofran Frejat, que acabou derrotado no segundo turno por Rodrigo Rollemberg (PSB), um dos piores governadores da história recente do DF.

Em 2018, o mesmo roteiro. Inelegível, Arruda negociou e impôs o nome de sua então mulher, Flávia Arruda, que não se elegeu senadora.

Em 2022, mais uma vez foi barrado no baile eleitoral. Agora, em 2026, ele volta a acenar com candidatura ao governo, em pré-campanha pelo PSD e gastando dinheiro público em atos e estrutura partidária.

A tática é a mesma: tratar o eleitor como um “zé mané”

Na última sexta-feira (22), o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento de ação do partido Rede contra alterações na Lei da Ficha Limpa (LC 219/2025), que unificou prazos de inelegibilidade e abriu brecha para condenados voltarem às urnas.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que, entre 2012 e 2024, a lei barrou mais de 6,2 mil políticos condenados por corrupção e improbidade em sete eleições.

Arruda e centenas de outros condenados torcem para que as portas se escancarem novamente.

A relatora, ministra Cármen Lúcia, votou contra as mudanças, seguindo argumentos da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Ela classificou as alterações como “patente retrocesso” aos princípios da moralidade e probidade administrativa.

Arruda, que reuniu correligionários para uma rodada de chopp para celebrar o resultado, não teve motivos para comemorar.

Sua esperança reside agora nos votos de outros ministros, com prazo até 29 de maio. Se alguém pedir vista, ele poderá seguir fazendo campanha sub judice, com recursos públicos.

Arruda acumula múltiplas condenações por improbidade ligadas à Caixa de Pandora. Especialistas apontam que, mesmo com a lei flexível, ele poderia permanecer inelegível até 2032 em alguns entendimentos.

Mas ele segue em pré-campanha, cortejado por aliados e apresentando-se como opção viável.

No final, ele sempre ganha: tempo, influência, recursos e cacife político para vender o passe a quem der mais. Quem paga a conta é o eleitor, com cara de “zé-mané”.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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