Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Bia Kicis abandona presos do 8 de janeiro; o que importa agora, é só Bolsonaro

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A PEC da Anistia, que dominava discursos inflamados e redes sociais de lideranças como Bia Kicis em 2024 e 2025, evaporou do debate público.

Nenhuma mobilização consistente, nenhuma articulação efetiva capaz de alterar o destino daqueles que acreditaram na narrativa de resistência institucional.

A discussão perdeu importância quando outra estratégia começou a ser a mais importante: eleger o maior número de senadores em 2026.

Isso serve para pressionar a Justiça e ajudar diretamente uma única pessoa: Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão e está na chamada “papudinha”.

Enquanto isso, os manifestantes de base permanecem esquecidos. Muitos perderam empregos, vínculos sociais e estabilidade emocional.

São pais, mães, idosos que acreditaram em discursos sobre fraude eleitoral e convocação patriótica.

Hoje, enfrentam processos, restrições e o peso da estigmatização pública. A retórica inflamada arrefeceu. O clamor por anistia desapareceu do topo das prioridades de Bia Kicis.

No projeto dela, o eleitor do DF é o que menos importa, como também os já esquecidos  cidadãos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e seus familiares, muitos dos quais aguardam soluções políticas que sequer avançaram.

A chamada PEC da Anistia desapareceu do debate. Onde está o compromisso com os “patriotas” tão invocados por Bia Kicis nos palanques de suas redes sociais?

No plano local, a atuação de Bia Kicis é marcada mais por embates ideológicos do que por entregas palpáveis ao DF.

Falta-lhe uma marca administrativa, uma iniciativa estruturante ou um programa que dialogue diretamente com as necessidades dos brasilienses.

Ao optar por uma agenda de enfrentamento permanente, a deputada pouco contribuiu para a construção de pontes políticas ou para a consolidação de políticas públicas no território que a elegeu. O DF já está esgotado disso.

Bia precisa saber que, na hora do voto, o dono absoluto da decisão é do eleitor e não do candidato.

Enquanto Bia adota um tom de racha com a base local, ela própria mantém uma centena de cargos estratégicos no GDF, incluindo estruturas de porteira fechada como a Secretaria de Agricultura. Rompe-se politicamente, mas não deixa a porra da “boquinha”.

No entanto, há um risco evidente: ao apostar todas as fichas em uma estratégia de confronto e pressão institucional, Kicis pode terminar sem mandato, e ainda fragilizar o próprio bolsonarismo local.

Os cidadãos do Distrito Federal de visão de direita,  não se restringem apenas a discussões ideológicas; eles buscam emprego, saúde, mobilidade, regularização de terras e políticas sociais eficientes.

O contraste com o legado de Ibaneis é inevitável. Após quase oito anos de gestão, o governador deixará o Buriti em 28 de março, com uma base aliada robusta e entregas concretas.

Celina Leão assume o comando e se apresenta como candidata natural à sucessão, respaldada por uma articulação política ampla que envolve MDB, PP, União Brasil e Republicanos.

Já Ibaneis Rocha construiu uma agenda de diálogo com diversos segmentos, incluindo lideranças religiosas, criando estruturas institucionais como a Unidade de Assuntos Religiosos e programas de regularização de templos, além de parcerias sociais que impactam comunidades vulneráveis.

Celina Leão, por sua vez, tem atuado como articuladora ativa junto às igrejas e movimentos sociais, consolidando uma base política pragmática e focada em resultados.

A insistência de Bia Kicis em uma candidatura que tensiona essa aliança pode representar não apenas um erro tático, mas um movimento que abre espaço para o avanço da esquerda no DF.

Ao insistir em uma candidatura que desagrega a parceria Ibaneis-Celina, Bia Kicis pode estar cavando seu próprio túmulo político. Que venham as urnas.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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