Ana Claudia Bonina é diretora de Políticas Educacionais do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) e também pré-candidata a deputada distrital pelo PSOL.
Nas últimas semanas, ela tem visitado escolas durante o horário de atividades para defender a realização de uma paralisação.
No entanto, a mobilização não estaria ligada às reivindicações tradicionais da categoria, como salário ou melhores condições de trabalho.
Agora, o foco parece ser outro: uma articulação política para tentar contra-atacar o Governo do Distrito Federal (GDF).
A movimentação surge após a recente derrota da esquerda na Câmara Legislativa, que não conseguiu impedir a aprovação da proposta do governo para sanear os ativos do Banco de Brasília (BRB).
O projeto de lei, aprovado pela maioria dos parlamentares, teve como objetivo evitar a liquidação do Banco e atender a uma demanda do Banco Central.
A derrota representou um duro revés para setores ideológicos do DF que apostaram no desgaste do governo e no quanto pior, melhor.
Impotentes para impedir a proposta no plenário, agora os deputados Gabriel Magno (PT) e Fábio Félix (PSOL) tentam reagir nas ruas, ou melhor, nas salas de aula, em prejuízo a milhares de alunos.
A convocação para uma assembleia geral com indicativo de greve está sendo feita pela diretora da Secretaria de Políticas Educacionais do sindicato, a professora temporária Ana Claudia Bonina.
Em um áudio que circula em grupos de WhatsApp, ela chama os docentes para deliberar sobre a paralisação.
O detalhe que chama atenção é que a mobilização não tem como eixo central reivindicações históricas da categoria, mas sim a conjuntura política recente.
Ao transformar o sindicato em plataforma de enfrentamento político-partidário, revela a percepção, já consolidada entre muitos professores, de que a entidade tem sido utilizada como um biombo ideológico.
Não é segredo que o Sinpro-DF vem perdendo força ao longo dos anos por causa da enganação. O distanciamento entre o sindicato e a categoria é cada vez mais evidente.
Na última eleição para a diretoria da entidade (maio de 2025), apenas cerca de um terço dos 30 mil professores participou da votação.
O sindicato fez uma convocação de greve, mas por trás, o mote foi para tentar aumentar a participação no pleito. Muitos interpretaram mais como um estímulo artificial para levar professores às urnas do que como uma mobilização real.
Agora, o mesmo modus operandi parece se repetir. A professora temporária Ana Bonina tem visitado salas de aula defendendo uma paralisação com um discurso político demagógico sobre o BRB que não tem nada a ver com as demandas reais da categoria.
A pergunta que professores fazem nos corredores das escolas é simples: a quem interessa essa greve?
Aos professores, que enfrentam desafios estruturais e pedagógicos diários, ou a projetos eleitorais travestidos de mobilização sindical?
Transformar professores em massa de manobra para compensar derrotas ideológicas não fortalece a categoria, apenas aprofunda o desgaste de uma entidade que já enfrenta crise de confiança.
Se o sindicato deseja recuperar relevância, talvez o primeiro passo seja reconectar-se com as demandas reais da sala de aula.
O magistério precisa de representação firme e responsável, não de palanque improvisado.



