O PSD no Distrito Federal corre o risco de provocar um prejuízo financeiro de grande monta caso decida bancar a candidatura do inelegível José Roberto Arruda ao Palácio do Buriti em 2026.
A aposta é considerada de alto risco porque não há qualquer garantia jurídica de que o ex-governador conseguirá se livrar da inelegibilidade, embora o PSD acredite que sim.
Arruda depende de uma decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita a ação proposta pela Rede Sustentabilidade, sob relatoria da ministra Cármen Lúcia, a mesma que barrou Arruda em 2022.
Até a decisão final, qualquer investimento robusto em sua pré-campanha pode se transformar em dinheiro público desperdiçado.
Cassado em 2010 no rastro da Operação Caixa de Pandora, Arruda filiou-se ao PSD em dezembro do ano passado com o objetivo declarado de disputar novamente o governo do DF.
O movimento, visto por aliados como tentativa de revitalizar o diretório local, pode resultar em um rombo financeiro expressivo se o STF mantiver sua inelegibilidade.
Arruda sustenta sua pretensa elegibilidade na Lei Complementar nº 219/2025, que alterou a Lei da Ficha Limpa ao limitar o prazo máximo de inelegibilidade a 12 anos e permitir a retroatividade da norma.
Segundo essa tese, o prazo estaria esgotado em 2026, a contar da primeira condenação colegiada, em 2014. O argumento, porém, é considerado frágil por juristas.
Em janeiro desse ano, a Procuradoria-Geral da República, sob o comando de Paulo Gonet, manifestou-se pela inconstitucionalidade desses dispositivos, ao sustentar que mudanças na legislação não podem retroagir para beneficiar condenados.
Segundo a PGR, esse entendimento é ainda mais rigoroso em casos já consolidados na Justiça, como o de José Roberto Arruda, cuja inelegibilidade foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça em novembro do ano passado e se estende até 2032.
A manifestação de do PGR, foi um banho de água fria fazendo Arruda embernar.
O histórico recente reforça o alerta. Em 2022, Arruda chegou a registrar candidatura a deputado federal, lançou campanha e consumiu recursos do Fundo Partidário, mas foi barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral semanas antes do pleito.
O resultado foi a anulação total dos minguados 17 mil votos e um prejuízo estimado entre R$ 500 mil e R$ 800 mil ao partido que o abrigava à época, além de danos à imagem.
No caso do PSD, o risco é ainda maior. Uma campanha majoritária no DF envolve cifras muito superiores, financiadas principalmente pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
Com os limites de gastos atualizados, o teto pode ultrapassar R$ 7 milhões em 2026. Caso o STF declare a inconstitucionalidade da lei antes do registro final da candidatura, despesas já realizadas podem ser consideradas irregulares, gerando devoluções, multas e até suspensão de repasses futuros.
Diante de todas essas evidências, a eventual aposta em Arruda se assemelha a investir em um ativo de alto risco e retorno incerto.
O prejuízo não seria apenas financeiro, mas também político e institucional. Em tempos de escassez de recursos e crescente cobrança por responsabilidade de partidos, o caso expõe os perigos de insistir em candidaturas juridicamente frágeis, com a conta, mais uma vez, recaindo sobre os pagadores de impostos.



