Radar Político/Opinião DIREITO DE RESPOSTA

Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

“População precisa denunciar para frear feminicídio”, diz secretário

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Em participação no programa Vozes da Comunidade, exibido neste sábado (18), o secretário executivo de Segurança Pública do Distrito Federal, Alexandre Patury, analisou os desafios no combate aos feminicídios, crimes que continuam gerando indignação na sociedade brasiliense, apesar da queda geral nos homicídios na capital.

Questionado sobre o maior gargalo no enfrentamento desse tipo de violência, Patury foi direto: o problema vai além da repressão policial e exige uma transformação profunda na sociedade.

“Meu amigo, a questão central, sem dúvida alguma, é a educação”, afirmou o secretário.

Ele lembrou que o DF ostenta hoje a posição de segunda capital mais segura do país em termos de homicídios totais.

“Em fevereiro tivemos cinco homicídios, o menor número registrado em toda a nossa série histórica. Agora, em abril, estamos com apenas três homicídios. Para uma população de três milhões de habitantes, isso é um dado relevante”, completou.

No entanto, Patury reconheceu que os feminicídios seguem um caminho diferente: “Em contrapartida, infelizmente, o feminicídio se mantém estável e, em certos períodos, apresenta até um aumento preocupante.

” Dados recentes da SSP-DF mostram que, em 2025, o DF registrou 28 casos de feminicídio, um crescimento de 27% em relação aos 22 ocorridos em 2024.

O secretário enfatizou a dificuldade específica desse crime: ele é cometido, na maioria das vezes, por alguém próximo, dentro de casa.

“Como combater o covarde que está dentro de casa, aquele indivíduo que é capaz de tirar a vida da própria esposa, da própria companheira com quem compartilha a vida? Como impedir que esse covarde, que convive diariamente com a vítima, pegue uma faca, que muitas vezes está ali, acessível na gaveta da cozinha, para cometer um desatino fatal? A resposta é a educação.”

Patury alertou para o machismo estrutural enraizado e para a subnotificação da violência doméstica.

“Infelizmente, mais de 70% das ocorrências de violência doméstica a gente só descobre quando o crime já se consumou, ou seja, quando ocorre o feminicídio”, disse.

Ele criticou a omissão de vizinhos e familiares, que muitas vezes preferem ignorar os sinais de agressão: “É a própria família que sabe, muitas vezes, que aquela mulher apanha do marido, e prefere deixar isso passar. É aquele vizinho que mora ao lado, que ouve o grito da mulher, mas é totalmente incapaz de levantar o telefone e ligar para a polícia. No entanto, quando há um som alto do vizinho, ele prontamente pega o telefone e liga para as autoridades dizendo que está incomodado com o barulho.”

Ao debater o tema, Elaxandre Patury foi enfático:

|“O feminicídio não é um crime de rua. É o covarde que dorme ao lado da vítima e decide, em um momento de fúria, que ela não merece viver.”|“Não adianta aumentar a pena para 50 anos se o assassino já cruzou a linha do inimaginável. Quem mata a mãe dos próprios filhos não tem medo de cadeia.”

|”Tolerar um empurrão hoje é assinar o atestado de óbito de amanhã. A primeira agressão nunca é a última.”

|“A sociedade não pode ser cúmplice silenciosa. Quem ouve o grito e vira o rosto também tem sangue nas mãos.”

O secretário fez um apelo direto às mulheres e às famílias: “Mulheres, famílias, todos nós precisamos estar atentos. Não aceite o comportamento do covarde que faz piada sem graça, não aceite o covarde que te empurra, que te dá um soco ou que te ameaça. Procure a polícia, nós estamos aqui prontos para te ajudar e te proteger. Muito provavelmente, esse covarde que te deu um soco não tem jeito e não vai mudar. Procure a polícia, afaste-se, busque proteção.”

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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