Radar Político/Opinião DIREITO DE RESPOSTA

Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Motim fracassado de Ibaneis contra Celina deixa distritais sem credibilidade

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Na política, o erro de cálculo costuma cobrar um preço  amargo. O recente anúncio de rompimento do MDB do Distrito Federal com o Palácio do Buriti, orquestrado pelo ex-governador Ibaneis Rocha, entrou para a história como uma verdadeira lambança.

Quem apostou que Celina iria arregar se ferrou. Os cinco deputados do MDB encolheram no quesito confiabilidade.

Graças ao movimento precipitado, Celina agora sabe exatamente quem caminha ao seu lado e quem, ao primeiro sinal de fumaça, preferiu a sombra da traição explícita.

A tentativa de golpe interno no MDB do DF e o anúncio de desembarque do governo deixaram marcas profundas na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

O motim liderado pelo deputado federal Rafael Prudente, marionete de Ibaneis Rocha, visava destituir Wellington Luiz da presidência regional do partido para assumir o controle da sigla no DF.

Os deputados distritais João Hermeto, Jaqueline Silva, Iolando e Daniel Donizet, que assinaram o pedido de destituição de Wellington Luiz, tinham endereço certo: isolar o governo, retirar os quatro votos do MDB na CLDF e inviabilizar o projeto do Executivo que pede autorização para contratar um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Jogar contra o empréstimo, portanto, não era apenas um movimento partidário; era uma tentativa de asfixiar o governo em um momento de vulnerabilidade institucional.

O resultado para os signatários foi o pior dos mundos. Como “madalenas arrependidas”, além de votar a favor da proposta colocada em pauta nesta terça-feira (9), que foi aprovada em primeiro turno, saíram com o cristal da confiança quebrado.

Eles já não possuem mais o trânsito e o respeito que detinham antes no Buriti.

Saíram da moita para chancelar um motim fracassado, deixando o bloco em uma posição de extrema vulnerabilidade política.

A reação do Palácio do Buriti foi rápida e cirúrgica, atingindo onde mais dói no pragmatismo político: os espaços de poder.

O Diário Oficial do DF começou a esvaziar, por exemplo, a estrutura controlada por Rafael Prudente e seus aliados.

Diante do encolhimento de seu feudo político, o próprio Prudente recuou e manifestou arrependimento, classificando a reação do governo como “retaliação”.

Classificar a perda de cargos como retaliação é de um amadorismo atroz ou de um cinismo sem limites.

Na política real, não existe o direito de jogar dos dois lados, tampouco o de cuspir no prato em que se come.

Ibaneis deixou o cargo de governador, mas o MDB do DF continuou majoritariamente contemplado, abrigando centenas de apadrinhados em cargos comissionados na estrutura do governo Celina Leão.

Não é aceitável usufruir da máquina pública para, nos bastidores, articular a sua paralisia.

A canetada de Celina Leão não foi um ato de vingança, mas uma aplicação prática da lei da reciprocidade política.

Quem escolhe romper publicamente e sabotar projetos vitais para o Distrito Federal não pode exigir a manutenção de benesses e espaços de poder no dia seguinte.

A reação da Leoa, além de tingir o andar de baixo do MDB, também foi para cima de Ibaneis.

Em um evento de lançamento de Thiago Manzone como deputado federal, ocorrido ontem, Celina lançou como suas candidatas ao Senado a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Bia Kicis.

O MDB quis a independência; o Buriti apenas concedeu o ônus que acompanha essa escolha.

Portanto, os deputados distritais João Hermeto, Jaqueline Silva, Iolando e Daniel Donizet nunca mais serão os mesmos de antes. Nem para Celina, nem para os seus próprios eleitores. Traição se perdoa, o traidor não.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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