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Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Era tudo que eles não queriam. Yvelônia surge na disputa de Valparaíso

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Com um percentual de 15%, conforme dados da última pesquisa para consumo interno entre partidos, sobre a disputa eleitoral de Valparaíso de Goiás, a assistente social Maria Yvelônia será lançada oficialmente pelo seu partido, o Solidariedade, como candidata a prefeita do município no próximo dia 1º de agosto.

Com uma boa pontuação, estando tecnicamente empatada com os pré-candidato José Antonio, o Zéleso, que aparece no mesmo levantamento com 18%, e estando 13% abaixo do candidato Marcus Vinicius, o “Cinquentinha”, Maria Yvelônia decidiu no sábado (21), ser a mais nova alternativa na disputa pela prefeitura de Valparaíso.

A pré-candidata decidiu pela disputa respaldada por um dado muito importante: mais de 51% de eleitores seguem indecisos, a procura de um nome que não seja do grupo comando pela deputada federal Leda Borges (PSDB) ou pelo atual prefeito Pábio Mossoró (MDB), conforme apontam as pesquisas realizadas na cidade.

Sendo um nome do campo evangélico, Yvelônia conta com uma forte identificação ideológica de direita, tendo sido inclusive Secretária Nacional de Assistência Social do governo Bolsonaro.

Ela é um nome que representa com maior nitidez o segmento evangélico, além do segmento das mulheres, majoritariamente em número de eleitores no município, bem como o sentimento bolsonarista bastante forte na cidade.

A construção dessa candidatura competitiva para a disputa em Valparaíso de Goiás, ganha maior amplitude política e ideológica no segundo maior município da região do Entorno neste ano de 2024, por servir como farol da disputa majoritária para a presidência da República, além da disputa no Distrito Federal e em Goiás, em 2026.

O desejo de Yvelônia de concorrer à prefeitura de sua cidade surgiu no final do ano passado.

No entanto, em fevereiro deste ano, ela enfrentou o primeiro obstáculo imposto por seus concorrentes, que “negociaram” com a direção do Republicanos, partido fundado pela mãe dela e no qual estava filiada há mais de seis anos, para que não permitisse a sua candidatura.

O Republicanos de Valparaíso está atualmente sob controle da deputada federal Leda Borges, que apoia a candidatura de José Antonio, conhecido como Zéleso, filiado ao PL.

Zéleso, apesar de sua filiação ao PL, não é visto como um político conservador e já declarou apoio a Lula em eleições passadas.

Por outro lado, Leda Borges adota uma postura ambígua, acendendo uma vela pra Deus e outra para o diabo.

Embora ela tente se posicionar como uma figura de direita, controlando ao mesmo tempo o PL e o Republicanos em Valparaíso, suas ações revelam um alinhamento com ideais de esquerda, exemplificado por seu voto favorável a todas as propostas do governo Lula na Câmara dos Deputados.

Diante desse toma lá, dá cá, mulheres políticas de linha conservadora como a senadora Damares Alves, a vice-governadora do DF, Celina Leão (PP), a deputada federal Bia Kicis (PL) e Michele Bolsonaro, todas com forte influência nos municípios do Entorno, tendem a apoiar declaradamente Yvelônia, ex-secretária nacional do governo Bolsonarista.

A entrada de Yvelônia no jogo assustou os dois pré-candidatos do mesmo grupo.

“Cinquentinha” apoiado por Pábio Mossoró, considerado o pior prefeito da história de Valparaíso, e “Zéleso”, candidato de Leda Borges, ex-prefeita e principal mentora política de Pábio Mossoró.

Os dois grupos, como num jogo de compadre e comadre, se revezam há mais de 16 anos  no comando do poder municipal de Valparaíso de Goiás.

Yvelônia surge como uma alternativa para varrer o atraso e a prepotência política em um município à beira do abismo.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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