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Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

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Do Mané à cadeia! Agnelo defende nome de estádio que ele mesmo envergonhou

Publicado em

O ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz, do PT, resolveu gravar um vídeo e jogá-lo nas redes sociais, bradando contra a mudança do nome do Estádio Mané Garrincha para Arena BRB.

Indignado, ele acusa o atual governo de Ibaneis Rocha de “roubar” a homenagem ao lendário jogador, chamando a iniciativa de desrespeito, oportunismo e um ataque à memória coletiva.

“História não se rouba!”, clama Agnelo, como se fosse o guardião imaculado do legado de Garrincha.

Afinal, quem melhor para defender a integridade de um estádio do que o homem que foi preso em 2017 na Operação Panatenaico, acusado de superfaturar sua construção em centenas de milhões de reais?

Agnelo, que recebeu propinas das construtoras envolvidas na obra, transformou o Mané Garrincha em sinônimo de corrupção petista no DF, um monumento ao desperdício que custou aos cofres públicos mais de R$ 1,8 bilhão, valor que, segundo investigações, foi inflado para encher bolsos alheios.

Em 2022, ele foi condenado por improbidade administrativa, com suspensão de direitos políticos por dez anos e multa de R$ 16 milhões, por facilitar repasses irregulares à Via Engenharia.

Por mais de uma década, o estádio foi um clássico “elefante branco” da era PT: vazio, subutilizado, um dreno de recursos que simbolizava o abismo popular em que o partido mergulhou no Distrito Federal.

Jogos esporádicos, eventos minguados e um custo de manutenção que sangrava o orçamento, tudo isso enquanto Agnelo posava de visionário por ter erguido a arena para a Copa de 2014.

Mas foi só no governo de Ibaneis Rocha que o lugar ganhou vida: parcerias público-privadas, concessões ao BRB e uma transformação em espaço multifuncional, rentável, com shows, eventos culturais e até finais históricas de campeonatos.

O agora candidato a deputado federal, Agnelo, decide escarafunchar a própria ferida. Ele acredita, que a sua indignação é maior que a da população do DF, como se os brasilienses tivessem esquecido as sirenes da PF na porta do Palácio do Buriti ou os escândalos que o levaram à cadeia.

Mudar o nome para Arena BRB pode ser uma jogada comercial, mas é inofensiva perto do legado tóxico que Agnelo deixou.

Agnelo faria bem em calar-se sobre o assunto. Algumas feridas, especialmente as autoimpostas, devem permanecer fechadas, ou correm o risco de infeccionar de novo, expondo a podridão que o PT tanto tentou varrer para debaixo do tapete.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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