A forte demonstração de força dos funcionários do Banco de Brasília (BRB), que lotaram as galerias do plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal na tarde desta terça-feira (03), impôs uma derrota a dez deputados distritais que votaram contra o Projeto de Lei nº 2175/2026.
A proposta foi enviada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) e acabou se tornando o centro de um embate político que mobilizou a categoria com pressão exercida sobre os parlamentares.
A proposta foi aprovada por 14 votos a favor e 10 contra, em dois turnos, autorizando o uso de nove imóveis públicos como garantia ou alienação para reforçar o patrimônio do BRB e viabilizar empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A medida atende a uma das exigências regulatórias impostas para evitar a completa liquidação da instituição pelo Banco Central, diante do cenário financeiro enfrentado pelo banco.
O resultado representa uma vitória clara do funcionalismo e do governo Ibaneis Rocha (MDB) na preservação de uma instituição, que emprega centenas de servidores e sustenta programas sociais essenciais à população do DF.
Enquanto a oposição adota a postura previsível de “terra arrasada”, defendendo o colapso do banco como forma de atacar o governo, mesmo que isso signifique o fim de linhas de crédito populares, consignados e iniciativas de inclusão financeira, o que chamou atenção, foi a traição escancarada de três deputados da própria base aliada: Thiago Manzoni (PL), Rogério Morro da Cruz (PRD) e João Cardoso (Avante).
Esses parlamentares, que controlam centenas de cargos comissionados e nomeações no Executivo distrital, optaram por votar contra a medida que salva o BRB de uma intervenção ou liquidação iminente.
Thiago Manzoni, por exemplo, controla a Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura. Rogério Morro da Cruz domina as administrações regionais de Jardim Botânico e São Sebastião. João Cardoso exerce domínio sobre Sobradinho I e Sobradinho II.
São figuras que se beneficiam diretamente da estrutura do GDF, mas que, no momento crítico, alinharam-se à oposição em vez de defender os interesses do governo que os sustenta.
A incoerência é gritante: deputados que ocupam fatias generosas na máquina pública, com nomeações e verbas, colocam em risco o emprego de centenas de bancários e o funcionamento de um banco público que atende diretamente o servidor e o cidadão comum.
A liquidação do BRB não seria apenas o fim de uma instituição financeira, seria o colapso de quase uma dezena de programas sociais, o desemprego em massa e a perda de um ativo estratégico para o Distrito Federal.
Tanto o governador Ibaneis Rocha quanto a vice-governadora Celina Leão acompanharam a votação pela TV Distrital, testemunhando o desenrolar da sessão.
A aprovação do PL, apesar das 10 vozes contrárias, demonstra que a mobilização organizada dos funcionários do BRB, somada ao interesse maior da população de preservar a estabilidade econômica e social do DF, prevaleceu sobre interesses pessoais ou cálculos eleitoreiros mesquinhos.
Essa derrota dos dez deputados, especialmente dos três “traidores” da base, serve de lição: o funcionalismo público, quando unido e consciente de seu papel, tem poder para impor respeito e derrotar sabotagens contra o interesse público.
O BRB segue vivo. Quem escolheu o caminho da obstrução terá que explicar à sociedade por que preferiu o risco de liquidação à salvação de um banco que é patrimônio do povo brasiliense.



