O que leva um supermilionário a disputar o cargo de governador do Distrito Federal, cuja remuneração mensal é de R$ 29.311,94, está muito distante do patrimônio de quem ocupa a função?
Entre os candidatos que já declararam seus bens à Justiça Eleitoral, Kiko Caputo, candidato do partido Novo, é um dos exemplos mais expressivos dessa realidade.
Ex-advogado do inelegível José Roberto Arruda (PSD) e ex-presidente da OAB-DF, Caputo declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 47.383.036,13.
Os dados estão disponíveis na plataforma DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com esse patrimônio, Caputo aparece entre os candidatos mais ricos registrados até o momento na corrida pelo Palácio do Buriti.
Os dados surpreenderam os milhares de advogados que ralam nas portas dos fóruns sem a mesma sorte de Kaputo.
A declaração revela um patrimônio diversificado, formado por imóveis, veículos, aplicações financeiras, participações societárias e bens de valor.
Somente em “outras aplicações e investimentos”, o candidato declarou R$ 20,2 milhões. Há ainda R$ 10,55 milhões classificados como bens relacionados ao exercício de atividade autônoma, além de R$ 4,36 milhões em outras aplicações.
Também aparecem ações avaliadas em R$ 1,73 milhão, aplicações de renda fixa de R$ 943,8 mil e uma conta corrente no exterior com R$ 440,8 mil.
No patrimônio imobiliário, Caputo declarou uma casa de R$ 2,85 milhões e dois apartamentos de R$ 296 mil cada.
A lista também inclui veículos avaliados em diferentes valores, entre eles automóveis e caminhões, que somam mais de R$ 1,4 milhão.
Há ainda um consórcio não contemplado de R$ 764,5 mil, VGBL de R$ 185,7 mil, outros bens e direitos de R$ 577,8 mil e quotas de capital de R$ 27,3 mil.
Entre os itens declarados está também uma joia, quadro, objeto de arte, coleção ou antiguidade, avaliado em R$ 180 mil.
Caputo aposta na renovação do grupo político da chamada “República da Panelinha da OAB de Brasília”, que chegou ao Palácio do Buriti em 2018 e continuou em 2022, liderado pelo super-rico ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), que também foi ex-presidente da OAB-DF.
Ibaneis, que não disputa a eleição desta vez, declarou nas duas últimas eleições patrimônio de R$ 79.808.818,88.
Caputo, portanto, fica abaixo da marca do ex-governador, mas entra na disputa pelo Buriti carregando uma robusta fortuna que chama atenção.
Quando se pergunta a um super-rico por que deseja disputar uma eleição, a resposta costuma seguir um roteiro quase padrão: “Quero dar um pouco de mim ao povo”.
O detalhe é que, quase sempre, esse “pouco” não inclui a fortuna acumulada ao longo da vida.
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