Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Bia Kicis sonha com o Senado, mas quem manda é o dono do cofre

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A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) anunciou, com pompa, sua candidatura ao Senado em 2026, como se o gesto fosse somente uma formalidade sem grandes consequências políticas.

Ironia à parte, a parlamentar parece acreditar que o Distrito Federal é um tabuleiro onde ela pode mover suas peças sem incomodar os reis do jogo combinado entre Waldemar da Costa Neto (PL) e Baleia Rossi (MDB).

O problema é que o PL, partido dela, está colado na base do governador Ibaneis Rocha (MDB), que já tem um plano traçado: ele próprio como candidato natural ao Senado e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do partido da Bia, na segunda vaga.

Bia, ao se autoproclamar candidata, ignora a matemática básica da política, dois nomes do mesmo bloco para uma única cadeira é, no mínimo, um exercício de otimismo ingênuo.

Nenhum dos deputados distritais do partido, que luta para buscar a reeleição, abrirá mão dessa condição de ser base do governo só porque a deputada federal quer a todo custo olhar tão somente para o próprio umbigo.

Bia Kicis acredita que dois raios podem cair no mesmo lugar.  Em 2022, Damares Alves (Republicanos), com o apoio explícito da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, surgiu como um furacão e engoliu a candidatura da ex-ministra Flávia Arruda, a escolhida de Ibaneis para o Senado.

Damares venceu, e Flávia ficou sem nada. Agora, Bia parece querer replicar o roteiro, apostando no voto bolsonarista e na proximidade com Michelle para garantir seu lugar ao “céu”, como é conhecido o Senado da República.

Mas será que Ibaneis vai engolir essa manobra calado? Improvável. O governador não parece disposto a ceder às ambições de Bia Kicis, sem luta. E aí vêm as indagações do “si”.

E se o PL resolver jogar tudo no ventilador e abandonar a base ibanesista?

E se o partido resolver lançar a candidatura “voo de galinha” de Izalci Lucas?

Difícil imaginar o PL tomando um risco tão grande sem garantias de vitória. Izalci, apesar da ambição, não tem o peso eleitoral para desbancar a estrutura montada pelo MDB no DF que visa reeleger a vice-governadora Celina Leão em 2026.

Além disso, a ideia de Bia Kicis ditar os rumos do partido é quase cômica. Na política, quem manda é quem segura o cofre, e no PL essa chave está nas mãos e sob controle de Valdemar da Costa Neto, assim como Baleia Rossi comanda as finanças do MDB.

Bia pode até anunciar o que quiser, mas sem o aval de Valdemar, sua candidatura não passa de um blefe.

A deputada pode acabar descobrindo que, na política, sonhar alto demais sem combinar com os donos do jogo é receita para cair feio. Por enquanto, o anúncio de Bia é só barulho.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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