Ao usar as redes sociais para anunciar o rompimento do MDB com a base de apoio à reeleição da governadora Celina Leão, Ibaneis tensionou o cenário político e trouxe à luz um comportamento calculista que vinha sendo alimentado nas sombras desde a sua última gestão.
Em um vídeo ambíguo publicado no Instagram, Ibaneis preferiu atacar pelas entrelinhas. Demonstrou uma “insatisfação” velada com Celina, sem, no entanto, oferecer os devidos esclarecimentos ou justificativas reais para o racha.
Para quem acompanha os bastidores, a postura do ex-governador soou como pura conveniência política.
O recado do rompimento ganha perplexidade quando se resgata o passado recente. No dia 30 de março, ao deixar o cargo para tentar uma vaga no Senado, Ibaneis subiu ao palanque da posse de Celina e a carimbou como uma mulher “correta e leal”.
Uma verdade inquestionável, já que Celina foi o verdadeiro escudo de seu governo.
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Foi Celina quem colocou as mãos no fogo e resolveu as crises mais “encrencadas” do Palácio do Buriti.
Foi ela quem segurou o rojão e garantiu a estabilidade do DF durante o rastro de destruição do “8 de janeiro”, episódio humilhante que culminou no afastamento do próprio Ibaneis do cargo.
Além de blindá-lo institucionalmente, Celina gastou capital político para buscar o alinhamento e apagar os incêndios na Câmara Legislativa.
Para piorar o cenário herdado, coube exclusivamente a Celina correr atrás de um prejuízo que envolve milhões de reais, em uma tentativa desesperada de não deixar o BRB quebrar.
O banco público foi vítima de um verdadeiro “golpe” promovido pelo ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, que acabou preso na “Papudinha”.
Enquanto Celina tenta recompor o Distrito Federal, tendo que matar um leão por dia para manter a governabilidade, a recompensa por sua lealdade chega em forma de um vídeo de descarte nas redes sociais.
Durante participação no programa “Vozes da Comunidade”, transmitido ao vivo pelo YouTube, no último sábado (16), o ex-governador foi questionado sobre a candidatura do inelegível José Roberto Arruda.
Em resposta, Ibaneis derreteu-se em elogios e empatia, demonstrando uma proximidade que ignora qualquer senso de dignidade política.
Afinal, o próprio Arruda cansou de postar vídeos em suas redes sociais ironizando o ex-governador, chamando-o de “governador master” em uma clara e ácida referência ao golpe financeiro aplicado por Daniel e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
Ao fechar os olhos para os ataques do passado e dar as costas para quem o defendeu nas horas mais sombrias, Ibaneis Rocha desenha um enredo inacreditável.
O eleitor do Distrito Federal assiste a um jogo em que a lealdade é descartada no primeiro sinal de interesse eleitoreiro, e em que o passado de ofensas é perdoado.



