A menina Paula, oito anos, não entende por que razão a sua casa foi derrubada e seus poucos brinquedos esmagados pelo trator. A garotinha é parte de uma das centenas de famílias com muitas crianças que ficaram desabrigadas em consequência de uma violenta operação de desocupação de área promovida pela Agefis no núcleo rural Águas Quentes no Recanto das Emas. Vários barracos foram queimados e as famílias nem tiveram tempo de retirar os seus pertences. Não havia ninguém que poderia proteger aquela gente. Um terror!
uem não tem para onde ir, fica onde está. Pelo menos essa é a decisão das centenas de famílias que ocupam desde o ano passado uma área do núcleo rural Águas Quentes no Recanto das Emas. Na operação surpresa da Agefis, ocorrida na quarta-feira da semana passada, cerca de 600 barracos foram esmagados pelos tratores da Agencia de Fiscalização que cortou a luz elétrica e o fornecimento de água deixando para trás famílias desabrigadas.
Presos da Papuda, inclusos ao programa de ressocialização da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso do Distrito Federal, órgão vinculado à Secretaria de Estado, Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal, foram incentivados a fazer o serviço sujo: tocar fogo em barracos. O sadismo foi comandado por servidores públicos que se julgam a cima da lei.
Não havia um deputado na àrea, embora o carroceiro Manoel Fonseca, 37 anos, pai de três filhos menores, tenha insistentemente liagado para alguns deles no entanto sem êxito. Também nem um servidor do GDF envolvido na operação sabia informar o que seria feito com todos aqueles desabrigados após as derrubadas.A única coisa oferecida foi às instalações de um albergue em Taguatinga, lugar infestado por traficantes de drogas, estupradores e outros párias do submundo.
Essa não é a primeira vez que a Agefis derruba casas na área rural do Recanto das Emas. Em março do ano passado foram 1.465 barracos ocupados por famílias carentes sem ter para onde ir. A diarista Maria Joana Ribeiro, mãe de cinco filhos, afirmou que não vai deixar a área por um motivo simples Não tem para onde ir!
“O governo que usa a forma fácil para destruir ocupações irregulares no DF, não tem solução para resolver um problema social cada vez mais visível que é a falta de um programa de moradia de baixo custo”, disse ao Radar a advogada Syula Nara Medeiros de Sousa, ex- subsecretaria de Administração e Regularização Fundiária do DF.
Ela lembrou que a última cidade planejada criada no DF foi Santa Maria há mais de onze anos. “O governo faz propaganda que está entregando casas do “Morar Bem” (obras realizadas pelo governo Agnelo) que também não são destinadas às famílias de baixa renda”, disse.
“As famílias carentes precisam morar e não dão conta de pagar aluguel. Qualquer quartinho de fundo no Distrito Federal custa 700 reais por mês. Não se tem conhecimento que o governo Rollemberg esteja escolhendo alguma área para assentar as famílias que precisam de moradia” apontou a advogada.
Syula Medeiros afirmou que na época do governo Arruda uma parte dessa área invadida no Recanto das Emas havia sido destinada para “curral comunitário” para atender associações de carroceiros. Uma situação que se tornou deplorável porque as famílias estavam morando nas baias dos animais.
As ocupações ilegais acontecem porque o governo não tem programa de habitação. “O governo Rollemberg tenta transferir a autoria da indústria criminosa das invasões e ocupações ilegais para a população, quando na verdade o grande fomentador dessa indústria criminosa é o próprio governo”, disse ela.
Na opinião da advogada, o socialista terminará seu governo e não fará outra coisa que não seja derrubar casas, na sua maioria, de famílias pobres que são humilhadas pela força opressora do Estado.
“O déficit habitacional é gigantesco e o governador Rodrigo Rollemberg nutre a equivocada política de exclusão social contra milhares de brasileiros que chegam ao DF em busca de moradia”, concluiu.
Da Redação Radar
VEJA VÍDEO DAS DERRUBADAS/IMAGENS CEDIDAS PELO PROGRAMA RICARDO NORONHA

