Associações, federações e entidades da classe ligadas ao agronegócio não gostaram do novo samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense, tradicional escola do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro.Com o tema ‘Xingu, o clamor que vem da floresta’, a agremiação vai levar para Sapucaí uma crítica ao setor e exaltar os índios da região.
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a avenida, a escola vai entrar com alas batizadas de “fazendeiros e seus agrotóxicos”, “pragas e doenças”, “a chegada dos invasores” e “olhos da cobiça”. Em um dos trechos do samba-enredo, a escola vai cantar: “Sangra o coração do meu Brasil, o belo monstro rouba as terras dos seus filhos, devora as matas e seca os rios”.
Segundo o vice-presidente da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul, Tarso Teixeira, os produtores rurais fizeram o Brasil se tornar campeão mundial da produção de grãos e proteína animal, com apenas 8% das terras disponíveis, enquanto as reservas indígenas somam 13% do território nacional. “É destes 8% de terras nacionais que virão o algodão e a seda das fantasias, a cerveja e a linguiça com farofa para os ritmistas, a madeira e a borracha dos carros alegóricos”.
O diretor da Sociedade Rural Brasileira, Christian Lohbauer, defende uma ação coletiva de marketing das entidades contra o discurso da escola. “O agronegócio é único setor que mantém o país nos trilhos. Surpreende-me que, ainda hoje, no Brasil, nós tenhamos que enfrentar uma comunicação tão primaria quanto essa. Uma escola de samba venha promover um discurso raso e atrasado quando se trata de uma questão tão importante que é o desenvolvimento da agricultura brasileira, com toda a tecnologia e capacidade de inovação”.
ABCZ faz nota de repúdio
A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) repudia, com indignação e veemência o samba-enredo e as demais peças publicitárias divulgados pela escola Imperatriz Leopoldinense para o Desfile de Carnaval de 2017. Ao criticar duramente o agronegócio, o grupo mostra total despreparo e ignorância quanto à história brasileira e à realidade econômica e social do país.
Antes de mais nada, é preciso esclarecer e reforçar que o país do samba é sustentado pela pecuária e pela agricultura. Chamados de “monstros” pela escola, nós, produtores rurais, respondemos por 22% do PIB Nacional e, historicamente, salvamos o Brasil em termos de geração de renda e empregos. Com o tempo e com o nosso talento de produzir cada vez mais – e de forma sustentável – trouxemos para nossa nação o título de campeã mundial de produção de grãos e de proteína animal.
Inaceitável que a maior festa popular brasileira, que tem a admiração e o respeito da nossa classe, seja palco para um show de sensacionalismo e ataques infundados pela Escola Imperatriz Leopoldinense. O setor produtivo e a sociedade não podem ficar calados diante a essa injustiça. É preciso que o Brasil e os brasileiros não só enxerguem e reconheçam a importância do nosso setor, como se orgulhem dessa nossa vocação de alimentar o mundo.
Com a responsabilidade que lhe cabe, a ABCZ vem a público reforçar o compromisso de seus 21 mil associados de produzir cada vez mais carne e leite com práticas sustentáveis e seguras. E, assim, enaltecemos, também, o nosso empenho em zelar pela preservação do meio ambiente.
Se você se alimentou hoje, agradeça a um produtor rural.
Postado por Radar

